Se a sua escola ainda não suspendeu a avaliação, está na hora de ser você a fazê-lo
Documento de suspensão da avaliação: Os/as abaixo-assinados/as comprometem-se a não entregar os objectivos individuais e recusam participar em qualquer procedimento destinado a viabilizar este modelo de avaliação, por considerarem:
- que o modelo de avaliação de desempenho consagrado no Decreto Regulamentar 2/2008 não satisfaz as expectativas de valorização da qualidade da escola pública e do desempenho docente;
- que a seriedade de um modelo alternativo de avaliação só pode ser equacionada à luz da revogação do Estatuto da Carreira Docente que desfaça a fractura entre professores titulares e professores, sendo este um dos aspectos que mais descredibiliza o modelo imposto pelo Governo;
- que o “simplex” abandona a componente científica e pedagógica do trabalho docente, caricaturando as pretensões de avaliação e não mexendo na essência do modelo, numa estratégia que só visa manter a sua face até às próximas eleições;
- que a pressão exercida pelo ME, nomeadamente com o uso abusivo dos endereços electrónicos dos professores, inundando-os de propaganda, ou com as ilegalidades cometidas com os objectivos “On-line” e a dispensa de publicação de competências em Diário da República, são intoleráveis;
- que não estão reunidas as condições materiais para a prossecução deste modelo de avaliação, mormente pela sobrecarga horária que ele impõe com claro prejuízo para o trabalho com os alunos.
__ de ____________de 2008
Agrupamento/Escola________________________________________
Fonte: MEP
Comentário
Se é avaliado, a única penalização que pode sofrer é a não progressão na carreira. Como são poucos os que vão progredir na carreira este ano, a penalização é meramente residual para a maioria dos professores. Está nas suas mãos a recusa do modelo burocrático. Se houver muitos professores a recusarem a entrega dos objectivos individuais, o processo "patina" e os professores ganham tempo para desenvolver novas formas de luta. É uma questão de paciência e resistência. À medida que se aproximam as eleições, o Governo fica com cada vez menos margem de manobra para impor a aplicação do modelo burocrático de avaliação.
Educação: Governo espera que sindicatos peçam negociação suplementar e apresentem propostas alternativas
04 de Dezembro de 2008, 15:09
Lisboa, 04 Dez (Lusa) - O ministro da Presidência afirmou hoje esperar que os sindicatos dos professores solicitem até sexta-feira a abertura de uma negociação suplementar, apresentando depois propostas concretas alternativas às do Governo sobre o modelo de avaliação dos docentes.
"Esperamos que os passos que o Governo tem dado, no sentido de criar condições para o diálogo e para a negociação, sejam finalmente correspondidos pelos sindicatos dos professores", declarou Pedro Silva Pereira em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros.
Pedro Silva Pereira começou por desvalorizar o impacto da greve hoje convocada pelos alunos, alegando que, "salvo algumas situações pontuais, na generalidade das escolas viveu-se um ambiente de normalidade".
Já sobre o diferendo entre Governo e docentes em torno do modelo de avaliação dos professores, Pedro Silva Pereira salientou que o executivo "não só está disponível para dialogar, como tem dado provas disso".
Uma alusão ao facto de o Governo ter apresentado no mês passado um decreto regulamentar com propostas destinadas a tentar resolver problemas antes identificados no processo de avaliação.
"O discurso dos sindicatos, que valoriza a questão do diálogo, deve ser acompanhado de gestos concretos. Está disponível a possibilidade de os sindicatos requererem até sexta-feira uma negociação suplementar a propósito da avaliação dos professores", frisou o membro do Governo, antes de reiterar a abertura do executivo socialista para novas negociações.
"Esperamos que os sindicatos possam tomar essa iniciativa [de requerer a negociação suplementar]. Seria um gesto bem-vindo e que traduziria um desejo de negociação", declarou o ministro da Presidência.
Na conferência de imprensa, Pedro Silva Pereira voltou a recusar a exigência dos sindicatos de que seja imediatamente suspenso o processo de avaliação.
"Isso é uma proposta de não avaliação. Queremos discutir a avaliação dos professores", justificou o membro do executivo, antes de recusar lógicas de "pré-condições para o diálogo".
"O Governo nunca pôs nenhuma espécie de limites às propostas que no âmbito da negociação os sindicatos pudessem apresentar. O Governo está disponível para considerar todas as propostas que os sindicatos entendam poder apresentar ao longo do processo negocial. Mas não podemos discutir o que não está proposto", alegou ainda o ministro da Presidência.
Segundo Pedro Silva Pereira, "está na altura de pedir aos sindicatos disponibilidade construtiva, se necessário com a apresentação de propostas do seu lado, porque é do confronto das propostas que poderão ser encontradas as melhores soluções".
"Os sindicatos anunciaram que iriam apresentar uma proposta alternativa [sobre modelo de avaliação] na ronda negocial. A verdade é que essa proposta não foi apresentada", apontou Pedro Silva Pereira.
Ainda em resposta a perguntas de jornalistas, o titular da pasta da Presidência frisou ser "convicção do Governo de que o impasse que se gerou a propósito da discussão sobre a avaliação dos professores não é bom para as escolas".
Este impasse "acaba por prejudicar os alunos e as próprias famílias. A única saída para esta situação é o diálogo e a negociação", afirmou Pedro Silva Pereira, antes de insistir na importância de uma solução a curto prazo para o conflito.
"Como os portugueses podem testemunhar, o Governo, pela sua parte, apresentou as propostas para esse diálogo e para essa negociação. Falta neste momento que os sindicatos correspondam a esta atitude do Governo, assumindo uma atitude construtiva", sublinhou o ministro da Presidência.
PMF.
Lusa/fim
E AGORA?