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09 Outubro, 2008
Posted by
Ramiro Marques
Labels:
aposentação
,

António Pina é uma das vozes mais críticas das políticas conduzidas pelo Governo de Sócrates. Brinda-nos com excelentes crónicas no JN. Ontem, escreveu sobre a debandada geral dos professores, fartos de humilhações, papelada e reuniões para tratar de papelada e de avaliação burocrática de colegas. Quem pode, foge. Muitos sujeitam-se a perder 40% do vencimento. Fogem para a liberdade. Deixam para trás a loucura e o inferno em que se transformaram as escolas. Em algumas escolas, os conselhos executivos ficaram reduzidos a uma pessoa. Há escolas em que se reformaram antecipadamente o PCE e o vice-presidente. Outras em que já não há docentes para leccionar nos CEFs. Nos grupos de recrutamento de Educação Tecnológica, a debandada tem sido geral, havendo já enormes dificuldades em conseguir substitutos nas cíclicas. O mesmo acontece com o grupo de recrutamento de Contabilidade e Economia. Há centenas de professores de Contabilidade e de Economia que optaram por reformas antecipadas, com penalizações de 40% porque preferem ir trabalhar como profissionais liberais ou em empresas de consultadoria. Só não sai quem não pode. Ou porque não consegue suportar os cortes no vencimento ou porque não tem a idade mínima exigida. Conheço pessoalmente dois professores do ensino secundário, com doutoramento, que optaram pela reforma antecipada com penalizações de 30% e 35%. Um deles, com 53 anos de idade e 33 anos de serviço, no 10º escalão, saiu com uma reforma de 1500 euros. O outro, com 58 anos de idade e 35 anos de serviço saiu com 1900 euros. E por que razão saíram? Não aguentam mais a humilhação de serem avaliados por colegas mais novos e com menos habilitações académicas. Não aguentam a quantidade de papelada, reuniões e burocracia. Não conseguem dispor de tempo para ensinar. Fogem porque não aceitam o novo paradigma de escola e professor e não aceitam ser prestadores de cuidados sociais e funcionários administrativos.
"Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável "pastiche" de Woody Allen "Para acabar de vez com o ensino", a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.
Os professores falam de "desmotivação", de "frustração", de "saturação", de "desconsideração cada vez maior relativamente à profissão", de "se sentirem a mais" em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da "escola de sucesso", do "passa agora de ano e paga depois", dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?"
Manuel António Pina
Nota final: para se ter uma ideia de quanto estes colegas vão perder, vale a pena ler a tabela de vencimentos dos professores. O vencimento ilíquido de um docente no 10º escalão é de 3004 euros mensais. Façam as contas!
A lista de aposentados de Novembro conta com mais de 700!
Incrível! E a de Dezembro será ainda maior.
Esta mensagem tem de passar para aopinião pública. É nossa obrigação fazê-lo.
Temos de "obrigar" os OCS a tornar público o que se está a passsar.
Se os professores estão em debandada, alguma coisa extremamente negativa está a acontecer.
Excelentes profissionais, que fazem falta ao ensino, preferem manter a sanidade mental do que sujeitar-se à aberração que caiu sobre as escolas.
Opinião pública?
É simples:
"Com esse dinheiro todo e tão pouco tempo de serviço e ainda se queixam? Deviam era ir sem nada."
Dispensemos pois a opinião pública, porque é tosca, inculta, mal informada, manipulada e ainda por cima faz gala disso. Neste país ser estúpido e ignorante é meio caminho para a heroicidade.
motta
Infelizmente, o problema é que a opinião pública, intoxicada por tudo o que o ME tem dito e já com a ideia fixa que a nossa profissão sempre foi uma profissão em part time paga com um vencimento por inteiro, está convencida que os professores "estão cansados porque nunca trabalharam na vida e agora veio uma ME que os pôs a trabalhar".
Não consegue ver além disso!
Até porque, não sendo o desprestígio tão grande noutras profissões, o risco de despromoção e/ou despedimento também se acentuou muito em muitas delas, o que faz com que as pessoas não estejam abertas às nossas queixas, já que não conseguem associar o que se passa com os professores com o bem dos seus próprios filhos. Ainda não perceberam como fazemos das tripas coração para que eles não sofram. Não percebem é que quando estourarmos será em cima deles que tudo rebenta.
De acordo com o Motta
António
Então, fazer o quê?
De todas as propostas que já vi não há consenso e fico com a ideia de que nenhuma serve.
Assim, como vamos sair disto?
Eu subscrevo o que disse o motta e é também por isso que fico com pele de galinha, quando percebo que há uma vontade imensa, por parte dos professores, em "agradar" a essa "opinião pública"... Sei que sou radical, já me disseram muitas vezes :-), mas acho que são eles que têm de perceber, se quiserem... não podemos ser nós a tdr de fazer o "pino" para os por do nosso lado.
rita
Concordo com a Rita, o Motta e o António.
Depois de mais um dia de cansaço... enfim é complicado, mas vamos lá começar a pensar aos bocadinhos.
Deixemos a opinião pública em paz. Viremo-nos para a opinião "privada". Os CEs já tiveram a faca e o queijo na mão, e, se entretanto não entrarem na clandestinidade como o Conselho de Escolas. É a única estrutura que podia (pode?) bloquear completamente o sistema (que saudades das "velhas" AP. Esse pessoal ainda reúne? Ainda há áreas pedagógicas?).
E há a opinião "pública com interesses", ou seja a político-partidária (vamos também pensar como podemos entrar no jogo "deles". Há interesses, eleições, há compromissos... e também sabemos "intervir" de forma eficaz, não?). Os media claro que interessam, não pela opinião pública, mas pelas "outras" opiniões. Imaginem as redacções inundadas com "coisas" nossas. Algum dia, alguém, há-de achar qualquer coisa de estranho.
E há, claro, os professores, que podem tomar certas posições, assim não lhes faltem as hormonas.
Isto para início de conversa...
motta
Motta! Acaba de descrever um bom programa de lutas. Os professores têm de escrever e enviar os seus depoimentos para todo o lado: jornais, televisões, deputados, etc.
O texto saíu um bocadinho "quadrado". Desculpem. Mais tarde arredondamos as esquinas.
motta
Motta,
Quando refiro o que comenta a opinião pública, não quero com isso dizer que não se faça nada (apenas que é difícil convencê-la...).
Quanto ao resto, ainda não me calei... apesar de alguns avisos! ;)
Motta e Maria Lisboa:
Ler-vos é uma lufada de ar fresco, depois de 11 horas na escola.
Acho que se deveria iniciar um movimento de recolha de assinaturas a exigir um referendum para integração de Portugal no âmbito da "Ibéria". Os políticos portugueses são corruptos, incompetentes e perversos e Portugal vai acabar por sucumbir. A questão é à custa de quem. Um movimento de integração de base popular genuíno impediria que os corruptos políticos nacionais e locais portugueses, e as famílias do costume, se colassem, amanhã, quando percebessem a inevitabilidade do processo, como sendo defensores da integração, só para manterem o poder dentro da "autonomia". Já sabemos a capacidade de dar voltas e virar casacas que essa gente tem. Nesse caso seria pior a emenda que o soneto e acabaria tudo em guerra civíl (que de alguma maneira poderia "limpar" Portugal).