Professores de Chaves aprovam documento a contestar o processo de avaliação de desempenho


Obtive informação, esta manhã, de que os professores de várias escolas do concelho de Chaves reuniram com o objectivo de redigirem um documento de contestação às fichas de avaliação de desempenho. O documento deverá ser lido nas reuniões de departamento marcadas para a próxima terça-feira.. O documento será objecto de deliberação na reunião geral de professores de um das escolas de Chaves (não indico o nome enquanto a reunião não se realizar).

No documento aprovado pelo grupo de professores de várias escolas de Chaves, pode ler-se:

"Depois de analisadas as grelhas de avaliação e de observação de aulas propostas pelo coordenador do departamento, os professores concluíram que se trata de instrumentos de operacionalização que:

1. revelam limitações, arbitrariedades, incoerências e injustiças impeditivas de uma avaliação objectiva e equitativa dos docentes;

2. assentam numa perspectiva burocrática, quantitativa e redutora da avaliação de desempenho

3. não promovem a melhoria do ensino.

Conscientes de que tudo isto decorre da regulamentação que nos querem impor, decidimos recusar toda e qualquer avaliação que esteja subjacente ao decreto regulamentar 2/2008 de 10 de Janeiro por considerarmos que ela subverte todos os valores que devem nortear a educação."

8 Response to "Professores de Chaves aprovam documento a contestar o processo de avaliação de desempenho"

  1. Vocas says:

    Vamos todos recusar e boicotar este modelo de (des)avaliação.
    Estaremos mais do que 100.000 dia 15 de novembro!
    Faremos a diferença!

    ramiro says:

    Passa a palavra. Será muito importante estarmos todos no Marquês, em Lisboa, no dia 15/11. Um pequeno esforço que valerá a pena.

    Safira says:

    Parabéns, mais uma vez aos colegas de Chaves.
    Todos deveriam seguir-lhes o exemplo.

    Abraço solidário,

    Safira

    Maria Fernandes says:

    Na minha escola temos de entregar a ficha de objectivos individuais até o dia 15. Estamos pensando em acrescentar uma "NOTA DE PROTESTO". A minha já está redigida e deixo-a aqui, pois pode ser que seja útil a algum colega.

    Depois de quatro décadas de exercício ininterrupto como Professora de Português e Mestre em Ciências da Educação, declaro e posso comprovar que já dei suficientes provas de que tenho vocação e competências para a função que exerço e que pretendo exercer com dignidade pelos três anos que ainda me restam.

    Estando devidamente consciente do natural desprezo dado a professores que detenham habilitações académicas mais elevadas conferidas por universidades, e forçada pela legislação vigente, submeto-me a este processo humilhante e de natureza jurídico-administrativa duvidosa por falta de avaliadores qualificados (o que considero ilegítimo) e pelo excesso de injustiças, incoerências, subjectividade e parcialidade que tal sistema de avaliação gera.

    Acrescento ainda que alguém mais vocacionado para a função de avaliador é que deveria ter o trabalho de provar o contrário – que eu não sou boa professora – permitindo-me condições de tempo para trabalhar para os meus alunos ao invés de estar a serviço do populismo e da burocracia obediente que tudo cumpre, decretos, despachos, artigos, ofícios, circulares, programas, projectos, e ignora os valores humanos por não caberem em grelhas, nem serem quantificáveis para as estatísticas, subvertendo todos os princípios que norteiam a educação em que acredito.

    A profª Maria Fernandes

    Anónimo says:

    Todos nós devemos seguir o exemplo dos colegas de Chaves e, para isso não devemos aceitar algo que é contra a principal função do professor - ENSINAR. Expliquemos também aos Enc. de Educação as incongruências deste modelo de (des)avaliação pois estes podem ser tb um "instrumento" útil na nossa luta. ENSINAR, essa é a nossa função!

    Anónimo says:

    Em muitas escolas, como na minha, há alguns professores, que advogam este modelo de avaliação apenas porque foi implementado por este governo. A minha opção vai ser abdicar da definição dos objectivos individuais. Como tenho que os definir até dia 20/10 vou escrever nessa grelha (uma entre muitas...):
    " Informo Vª Exª que abdico do direito de definição dos objectivos individuais, pelas razões que irei expor de seguida.
    Esta decisão foi amplamente ponderada e tenho plena consciência dos prejuízos que a mesma pode acarretar para a minha carreira profissional.
    Trata-se da forma que encontro para manifestar o meu desacordo para com a forma como o actual modelo de avaliação do desempenho docente tem vindo a ser implementado pelo Ministério da Educação. Este modelo de avaliação não conduz a um avaliação de desempenho mais “exigente e com efeitos no desenvolvimento da carreira que permita identificar, promover e premiar o mérito e valorizar a actividade lectiva”. Pelo contrário, este modelo apresenta, na minha opinião, claros perigos para a qualidade e credibilidade do Ensino Público, desvaloriza a prática lectiva e deixa de se concentrar naquele que deve ser o fundamento da nossa profissão/ missão, a qualidade das aprendizagens, geradoras de uma verdadeira igualdade de oportunidades."
    Não sei se me vai levar a algum lado, mas minha consciência fica mais tranquila. Depois, logo se vê.
    Acredito que todos tomassem esta posição era mais fácila acabar com a palhaçada. Queria ver a MLR dizer nos telejornais que as escolas estão todas a trabalhar...

    ANA says:

    Cada vez me orgulho mais de ser transmontana. Actualmente estou a exercer na ilha da Madeira,mas não posso deixar de felicitar este acto de coragem dos meus colegas.
    Todos deveriam seguir-lhes o exemplo.

    Anónimo says:

    colegas, agora mais do que nunca vamos manter-nos unidos e mostrar que afinal a classe de professores é uma classe digna de respeito, que é dela que depende a formação dos nossos jovens e que acima de tudo temos consciência do nosso trabalho