O day after. O que fazer a partir de hoje?
Há um tempo antes do dia 14/10 e um tempo depois. Hoje foi o dia em que terminaram as ilusões. O movimento espontâneo de desvinculação sindical começou no dia seguinte à assinatura do memorando de entendimento. Havia, contudo, alguns professores desejosos de darem uma segunda oportunidade aos sindicatos. Foi dada no dia 14/10 e os sindicatos não a aproveitaram e morderam a mão que lhes levava a solução para a reconciliação e a regeneração.
E agora? O que fazer?
Há várias hipóteses:
1. Criar um novo sindicato nacional de professores
2. Criar uma ordem..
3. Lutar dentro dos sindicatos existentes para os regenerar.
Nenhuma destas opções é viável. Vou explicar porquê.
Duvido que a criação de um sindicato o colocasse a salvo das investidas partidárias e dos interesses instalados. Seria bem provável que, daqui a uns anos, estivesse corroído pelos mesmos vícios dos sindicatos actuais.
Vejamos o caso da Ordem. Manifestei-me contra enquanto ainda julgava possível a regeneração dos actuais sindicatos. Se os enfermeiros e os biólogos foram capazes de criar uma ordem por que razão os professores não conseguirão? Receio, no entanto, que a ordem seja mais um sindicato. Não seria difícil criar um ordem de professores a partir das associações e movimentos independentes de professores já existentes. Duvido, no entanto, que valha a pena.
A opção de lutar dentro dos sindicatos em ordem à sua regeneração não me parece viável nem realista. Os sindicatos estão capturados pelos principais partidos. O dirigentes perpetuam-se no poder, à semelhança do que fazem os seus camaradas e companheiros presidentes das câmaras municipais. Há muitos anos fora das escolas, perderam o contacto com a realidade. Deixaram de ser professores. Estão numa posição semelhante aos PCEs que se instalaram anos a fio.
Restam os movimentos espontâneos e as associações de professores independentes de base territorial. Elas estão a nascer um pouco por todo o lado: no Sul, no Oeste e no Norte do país. São pequenas organizações, fluidas e informais, que juntam algumas centenas de professores de uma determinada região, que se encontram, convivem, fazem amizades, discutem, criam um cultura profissional e comunicam regularmente por email e nos blogs. Foram estas associações e não os sindicatos que tornaram possível a marcha de 8 de Março. Foram essas associações que prepararam as concentrações nas capitais de distrito em Fevereiro de 2008. Os sindicatos montaram onda e fizeram bem. Deviam ter feito o mesmo com a actual movimentação em ordem a mobilizar os professores para a marcha de 15/11. Agora dizem que talvez convoquem uma manifestação antes do dia 15/11. Está bem. Convoquem e mobilizem: eu estarei lá e apelarei a todos os professores que compareçam à chamada. Mas convoquem mesmo. Não andem a enganar os professores! Por mim, este capítulo está encerrado. Deixei de ter ilusões e não quero perder munições. Desejo guardá-las para combater o inimigo: o ME. Não voltarei a escrever sobre este assunto. Não quero ser acusado de estar a dividir os professores.
Outros posts sobre este assunto:

Aí está!
Um movimento espontâneo transformado em mais um sindicato.
E esta...
TRÊS CONSELHOS "SÁBIOS":
- deixemos de falar dos sindicatos;
- desvinculemo-nos deles;
- sigamos o NOSSO caminho.
Luís! É isso mesmo. Conselho de sábio.
E o que conseguem fazer os Movimentos? Nada, Zero,Não têm nem força nem expressão...os sindicatos mesmo que desgastados e partidarizados conseguem NEGOCIAR alguma coisa!O resto é conversa que só serve para dividir ainda mais os professores!Acho que os seus últimos posts só serviram para DIVIDIR AINDA MAIS!Apele à UNIDADE e não à DIVISÃO!
Que " ganda" desilusão. Nunca pensei ler esta notícia hoje. Durante o dia, na escola, em mais reuniões sobre as malditas fichas, fui passando a palavra da mobilização para 15/11. Sempre pensei que os nossos sindicatos fossem mais " inteligentes". Para mim morreram e amanhã vou anular a minha filiação sindical. E sou afecta à FNE. Mas " basta", pois consultando a pagina da FNE nem NADA.
SE não estão do nosso lado, estão contra nós.
Este foi o dia de "uma morte anunciada".
Espero que isto não nos desuna. Pelo contrário, temos de unir-nos e mostrar que não precisamos deles.
Eles é que precisam das nossas quotas. E isso VAI ACABAR.
Deixemo-los às moscas.
Sou docente há 26 anos e sindicalizada há 20. Assisti a muito trabalho, muito esforço e muita luta entre os sindicatos e o ME.
Agora que é necessária a união mais do que nunca, dói-me ver os docentes tão desunidos.
As Associações, os docentes, no meu entender, deveriam ter trabalhado junto dos sindicatos, mostrando-lhe o que se passava nas escolas no dia a dia, confrontando-os com a necessidade de uma mudança de rumo.
O "entendimento" permitiu que a avaliação de desempenho (AD)seguisse um rumo bem diferente do que estava previsto. O "entendimento", permitiu a formação de uma comissão paritária sobre a AD, onde são analisadas as incorrecções e as ilegalidades...
Pergunto: quantos de nós denunciamos essas ilegalidades e as incorrecções? Quantos de nós tivemos a coragem de dizer que não ao CE, quando nos impunham prazos impossíveis de cumprir? Quantos de nós no Conselho pedagógico tomou a posição de não aprovar os indicadores de medida?
Não se esqueçam que os sindicatos só podem ter força se os professores tiverem essa força. Por vezes achamos que os sindicatos tem um poder enorme, mas se cada um de nós não denunciarmos, não pressionarmos, não nos unirmos, podemos ter a certeza que a classe docente nunca mais será uma classe reconhecida com valor. Não podemos perder os valores da unidade, da solidariedade, da confiança entre nós.
Se no meu comentário anterior fui injusta com algumas associações, acreditem que não foi desrespeito, foram dúvidas sinceras que me assaltaram.
Peço a essas associações que repensem nos valores primeiros da nossa classe... O que importa é mostrar a nossa força seja numa ou em outra data. Temos de nos unir, temos de ser fortes. Se os sindicatos acharem que a data mais favorável é outra que não o dia 15, então vamos todos estar com eles. Se a data for indiferente, mas o que importa é mostrar a nossa força, então peço aos sindicatos que marquem também o dia 15. Não podemos deixar o ME e o governo matar a nossa classe... Não podemos matar a nossa classe através da desunião.
Importa lutar, importa a unidade, importa os nossos alunos e o nosso modelo de escola onde queremos rigor, serenidade e recursos...
Fiquem bem... Sejamos unidos, deixemos-nos de ataques. Como alguém disse: Façamos as contas depois com os sindicatos....
Em todo este processo de contestação o perigo maior é sempre o dia seguinte. Não vejo que é que pode resultar de uma manifestação que não seja uma "ameaça" política ao governo do Eng. e contra isso parece que o Senhor Engenheiro está bem vacinado. Por isso acho que a contestação de 15 de Novembro é demasiado cedo, o processo devia amadurecer mais, deixar que a sua estupidez se agigante e faça crescer de forma segura sobre o processo os olhares da comunidade. professores a pedir a reforma, Professores a contestar nas ruas sem que sejam bem visíveis as suas razões a um olhar exterior, a um terceiro olhar influente, receio que nada de bom resulte. Já vimos que os objectivos do Governo são bem diferentes dos dos professores. Não entendam esta opinião como um apelo à desmobilização, mas a uma abordagem mais pragmática a uma situação insuportável mas com um desenho sociológico e político incontornável!
por acaso está destacada num sindicato? parece...com esse discurso...
Ao que isto já chegou.
Não se pode falar nem discutir uma opção uma ideia sem se ser rotulado de divisionista.
Realmente a democracia vai podre.
Há sindicatos sem representatividade que consegues bónus ao fazer acordos que lesam em muito os trabalhadores. O problema é que não são movimentos, pois se fossem eram mal vistos...estavam a dividir para reinar.
Nós professores temos de ser domesticados, aceitar as ordens superiores de quem fez entendimentos com o trio maravilha , agora mais uma vez depois de tempos a se falar nesta manifestação de 15 de Novembro alguém que nos representa, ou julga que representa porque está num sindicato, vem com a triste ideia de divisão e anti sindicalismo, quando se pretendia que os sindicatos participassem nessa manifestação, mas não! decidiram fazer outra, esta não divide, une, porque é convocada ou será ainda convocada, pois não existe a data certa, os professores, a outra é que desune e já foi marcada.
Temos nós de aturar as birras a visão destes senhores e teremos de ser nós para não nos chamarem de divisionistas de mudar a data da manifestação para coincidir com uma outra que nem existe?
Se a data não era correcta teriam entrado em contacto com os movimentos e sugeriam uma outra data, seria o mais correcto, mas não. deixaram correr e depois puf, ai está...Ai estas agendas ocultas dos sindicatos.
São interlocutores enquanto tiverem sindicalizados, caso contrário são fantasmas.
O que hoje se passou não foi para unir os professores mas sim para marcar uma posição de força face aos movimentos independentes... e estigmatizando qualquer novo movimento independente que surja.
Esta democracia está podre, e utilizam-na como senhores do poder, não para, neste caso, benefício dos professores mas para demonstrar o seu poder.
Estes discursos só deixam feliz a milú...cheira a desunião!desunião!desunião!Basta, Ramiro!Em nome da educação e do ensino,Basta!Este blog era muito positivo até entrar nesta onda de só servir para dividir ainda mais1
Acho que há euforia a mais. Num "commment" noutro post deste Blog alguém escrevia: "dia 15 seremos 150.000 na rua". Está tudo com os pés bem assentes na terra? A manifestação dos 100.000 é irrepetível e o Governo sabe bem disso. Muitos, sem nada saberem de POLÍTICA, iam convencidos para essa manif. que conseguiam a demissão da Ministra. Mas, não percebem que a Ministra é a "vaca sagrada" do Sócrates? Totalmente intocável. Nem que caia o Carmo e a Trindade. Se o Sócrates baseou toda a sua política nos últimos tempos na ideia de que está a construir o melhor sistema de educação, neste país, alguma vez cedia a uma manifestação?
Só ingénuos podem acreditar nisso.
Não quero desmobilizar ninguém, mas eles não vão ceder um milímetro. Disso, tenho a certeza.
Com a "opinião pública" totalmente dominada pela "opinião publicada" ( e televisionada) os professores arriscam-se a ser ainda mais malvistos do que já são. Não por culpa deles, mas por culpa das mentiras (que , ampliadas pela comunicação social e mil vezes repetidas) se tornam verdades. Eu convivo com o povo e sei que é assim que ele pensa.
João
Colegas: tenho 59 anos de idade e 32 de serviço. Entrei no ensino em 76 . Sindicalizei-me de imediato.
DOIS ANOS passados percebi logo que os sindicatos só existiam para pagarmos as quotas. Quando precisei deles não obtive resposta.
Fui pela primeira vez a uma manifestação no dia 8 de Março.
Não o fiz por convite ou convocatória de qualquer sindicato.Dia 15/11 lá estarei. Não percam tempo com discussões e guardem as forças para as lutas que se avizinham.POR FAVOR , NADA DE MEMÓRIA CURTA. Sou professora, não voto PS.
Ramiro! como podem alguns ,serem tão ingratos, e não verem ,que existem interesses instalados nos sindicatos que não os deixam proteger a classe a que pertencem , eu depois de 28 anos sindicalizada no spzn, amanhã vou desvincular-me.
Volto a afirmar: irei estar presente nas duas manifestações caso o Mário Nogueira cumpra a promessa e convoque uma manifestação para antes de 15/11 como afirmou hoje. Estarei na manifestação da FENPROF e na do dia 15/11, a marcha dos espíritos livres.
Estou contigo Ramiro.
Ordem, só o nome, mete impressão ... marchar marchar ... sou filha da liberdade. sindicatos, há momentos para tudo na história (não consegui enquadrar melhor mas que fique assente que os respeitei, seus papeis e valor).
As pessoas, pelo que são .... têm que se desenvolver, ficar mais inteligentes e espertas... essas coisas dão trabalho mas ... são possíveis.
chega desta cultura do analfarmani!
fico por aqui porque tenho que estar alerta a várias frentes no meu canto.
abraço solidário,
M.
O ocaso chegou ao fim,
a Noite caiu!
Até que venha um novo dia, ainda
falta muito tempo!
Moriae, obrigado pelas tuas palavras. Estamos quase sempre em consonância!
Não é possível, enquanto estiver acordada e capaz. e depois, tiveste uma expressão maravilhosa ... "a marcha dos espíritos livres"
Para mim está baptizada a marcha, o encontro do dia 15. E sem esperar nada, lá estarei a exercer esse direito, essa característica, 'espírito livre'.
São 23:47 no relógio deste PC :-)
Fala-se muito de uma Ordem....mas todos têm medo de avançar com a ideia. De facto, mais do que uma crise sindical, num contexto proto-fascista como o que vivemos agora, em Portugal, talvez a Ordem (corporativa, claro mas que pode ser inteligente....) seja o único modo de unir (ou reunir), representar e dignificar uma classe que perdeu o respeito do país por múltiplos tiros nos pés. Enredámo-nos demasiado nas reinvidicações político - sindicais e fomos peões numa guerra que sempre nos pareceu ser combatida noutros cenários. Mas não. Fomos e continuaremos a ser as vítimas directas.
Haja alguém que, com coerência e inteligência tome a ideia da Ordem como boa....e avance. Saberemos o que fazer com ela, como sabem todos os que, corporativamente, se organizaram desse modo.
De qualquer modo.....vamos lá!!!!
a 15 DE NOVEMBRO!!!
António
Também estou desiludida com todo este processo. No entanto, parece-me que se está a ir longe de mais nalguns comentários. Talvez estejamos todos muito tensos e, como tal, muito intolerantes. Creio que esta ideia de uma manifestação no dia 15/11 surgiu porque os professores estão a sentir uma pressão enorme nas suas escolas, estão sobrecarregados de trabalho e angustiados por sentirem que não têm tempo nem energias para fazer o que é mais importante: trabalhar com os alunos. Como da parte das organizações sindicais havia um silêncio completo, enquanto os professores iam sofrendo a pressão quotidiana nas escolas, começou a germinar a ideia de uma manifestação para mostrar o nosso desânimo e a nossa profunda revolta por tudo o que nos está a acontecer.Se as organizações sindicais tivessem tido essa ideia, ela não teria sido alimentada por outros meios. Não a tiveram, têm-na agora. Mais vale tarde que nunca. As contas com os sindicatos poderão acertar-se depois. Eles deverão responder pelo seu silêncio e pelo malfadado memorando de entendimento. Mas isso tem tempo. Por mim,decidirei depois se entrego ou não o meu cartão. Agora o momento é o de tentar conjugar esforços para que a união exista e se lute por aquilo que verdadeiramente interessa. Acabar com todo este processo que afasta todos os dias cerca de 12 professores das escolas e põe os que lá ficam à beira de um ataque de nervos ou, pior ainda, de uma depressão. Dia 15 ou dia 8, o importante é irmos todos. Os nossos principais inimigos são os elementos desta equipa do ME, secundados pelo PM.
Confesso que nunca entendi muito bem estas frases que sempre ouvi, principalmente desde 1978:
Os Sindicatos fazem falta! Os Sindicatos são importantes!
A experiência que tenho poderá não servir de exemplo mas poderá servir para confirmar o que, neste momento, está ser constatado.
No momento mais difícil da minha vida profissional, há aproxidamente 18 anos, quando solicitei ajuda a dois sindicatos (sim, estive como sócia em dois simultaneamente), um deles sugeriu-me que procurasse ajuda noutra lugar e outro nem resposta me deu... ( naquele tempo, continuei confiando e associada, ainda não entendi o que me fazia confiar...).
Talvez este afastamento, esta desvinculação não seja só de agora, talvez este seja o momento certo para nós, docentes da sala de aula, mostrarmos o quanto valemos a quem há muito tempo desta se afastou ( e não me venham dizer que quem se afasta também gosta muito de ensinar, porque não acredito...).
Não percebo muito bem em que é que este (e outros) blogues estão a dividir os professores.
Achei a apreciação do Ramiro muito correcta. Sou sindicalizado e tenho desenvolvido a paciência à espera dos sindicatos. Continuo na expectativa. Mas a verdade é que os 100 mil foram desperdiçados e o entendimento salvou a ministra. Desperdiçado também está a ser todo este mal-estar. Alguém faz alguma ideia do calendário dos sindicatos? Aliás, alguém faz alguma ideia se ainda há Plataforma? Se já não há, isso não é o reconhecimento dos erros cometidos?
Acho muito difícil sair-se vencedor de uma luta sem eles. Mas não podem continuar às aranhas como andam desde 8 de Março. Deviam ter apresentado um programa no início do ano lectivo. Se houvesse esse programa concreto, certamente não aconteceria esta marcação para o dia 15/11 que pode até não correr bem!
Eu sou sindicalizado desde 1979 na SPGL. Nem sempre estive de acordo com as suas decisões. Mas mantive sempre a sindicalização como uma forma de defesa dos meus direitos enquanto trabalhador. A assinatura do Memorando veio abalar um pouco as minhas convicções. Agora a Fenprof diz que não apoia a manif de 15/11. Que vai convocar outra antes dessa data. Nesse mesmo dia devolvo o meu cartão de sindicalizado.
LEIAM E INDIGNEM-SE
Este comentário que encontrei noutro blogue mostra até que ponto podemos confiar nos sindicatos. Se não tivesses sido eles, em Março tinhamos tido todas as condoções acabarmos com a ministra e os seus amigos, mas os sindicatos não deixaram. Ora leiam.
Recordando o pós-entendimento
Em tempos, e não sei porquê (quiçá, inconscientemente antecipando eventos futuros) registei as declarações de António Costa no programa "Quadratura do Círculo", precisamente o primeiro em que participou aquando da substituição do Jorge "quem se mete com o PS, leva" Coelho!
E em discussão estava o rescaldo do dito cujo memorando de entendimento.
Cada um dos participantes debitou o que quis e António Costa saiu-se com o que abaixo se transcreve (e que poderá ser confirmado na gravação do programa).
António Costa:
Quer o governo quer os sindicatos precisavam deste acordo e dele rapidamente!
Porquê?
Porque o que nós verdadeiramente tivemos aqui foi algo que transcendeu o governo e transcendeu os sindicatos! Quer o governo quer os sindicatos foram apanhados de surpresa em todo este processo. As primeiras manifestações, como todos nos recordamos, foram convocadas espontaneamente. Aquela manifestação excedeu em muito a capacidade de mobilização sindical. Os sindicatos fizeram um esforço colossal para procurar enquadrar rapidamente aquele movimento. Aquele movimento tinha uma natureza espontânea e o mal-estar que existe em muitas escolas e nos professores transcende, em muito, o que está em cima da mesa das negociações!
António Costa não é um menino de coro! Não é um menino qualquer dentro do PS! Deixou escapar isto talvez por falta de rotina neste género de programa (talvez tenha achado que o espírito desse programa era o de uma cavaqueira informal e embarcou na onda, sem querer)!
O que Costa verdadeiramente quis dizer é que governo e sindicatos tinham de arranjar um qualquer consenso para esvaziar este movimento. Ao governo porque interessava parar esta contestação porque poderia alastrar a outras áreas da função pública; aos sindicatos porque corriam o risco de se chegar à conclusão que não eram precisos para nada!
E o entendimento chegou! Prenda aqui, prenda ali, pataca a ti, pataca a mim!
Quem lerpou? Os profs que estão nas escolas! Como agora se vê!
Burocracia que nunca mais acaba!
Novo concurso para titulares para aqueles que desempenham cargos e ocupam lugares públicos e sindicalistas! (ponto 8 do memorando se não me falha a memória)!
Novas regras de concurso a caminho!
Um sistema de avaliação caótico e desigual de escola para escola!
A degradação do ambiente das escolas e da qualidade de ensino!
Eis senão quando, de novo a massa anónima das escolas se ergue outra vez! Insinua, ameaça, idealiza e planeia nova descida à rua, à capital!
Avisados, desta vez, os magníficos sindicalistas (sem ouvirem as bases, mas ouviram o trio maravilha) decretam do alto da sua prosaica verborreia que os professores voltarão à rua mas nunca no dia 15/11. Que estão ali para unir e não para dividir! (Esta então é de gritos!)!
Aí estão eles, de facto, como pontas de lança do ME, prontos a esvaziar o movimento contestatário que se ergue! Mais uma vez querem liderar um processo para o qual nada contribuiram! Querem controlar para fins que não se sabe bem quais! Nem a que agendas obedecem! De partidos? Do próprio ministério? Haverá já negócio? Terá a reunião de hoje servido apenas para limar arestas? Ainda não reuniram com os restantes elementos da dita plataforma mas já sabem que dia 15/11 não e que os profs. irão para a rua noutra data?!
Ainda não perceberam que se avançarem noutra data e for um "flop" estão a condenar de vez o sindicalismo? É isto que querem? Aonde querem chegar?
Sr. João Chagas, o que o seu Sindicato consegue NEGOCIAR são benesses para sindicalistas, porque para os seus associados NADA!
Tiveram 30 anos para provar que eram necessários e NÃO PROVARAM ABSOLUTAMENTE NADA! (como vê também domino a técnica das maiúsculas )
TODOS os sindicatos sem excepção são dominados por uma burguesia sindical que procura não hostilizar os poderosos, e que vai entretendo os trabalhadores. Chegou uma altura de dizer BASTA! Por isso, meu caro, vão receber uma cartinha, simpática e assinada a cancelar a transferência. VÃO TRABALHAR QUE JÁ SÂO GRANDES ! So há UMA MANIFESTAÇÂO e essa é a 15 de Novembro !
Peço desculpa, mas só agora me apercebi de que não identifiquei o blogue "No Reino na Macacada" de onde roubei o post da 1.22 de hoje a propósito da afirmação de António Costa.
Há só dois apectos que o "povo" entende: os professores desterrados e a indisciplina dos alunos. Tudo o resto não interessa ao povo. Talvez fosse por aí que se devesse começar a explicar ao "povo" o que se passa.
É escusado falar em papéis, burocracias, avaliação, etc, que a opinião pública não quer saber disso.
Sei por experiência própria, em conversas com o "povo" que só aqueles dois aspectos referidos têm solidariedade do "povo".
Sou um reles "professorzeco" e vejo a situação nestes termos. Ou denunciamos aquilo que o "povo" consegue entender, ou o resto ainda se vira mais contra nós.
João
Cada vez que leio os mails anti-sindicais, mais vou identificando a dita "apoliticidade" dos seus autores. A maior parte são órfãos do PS E do PSD.Por mais que digam e defendam, a divisão dos professores,neste momento, começou com a marcação do dia 15/11. Porque não se esperou pelo fim das reuniões dos sindicatos com o Ministério? Grande mistério!Ou se calhar não.
Hoje mandei um fax ao SDPS - FNE:
Ex.mos senhores
Venho por este meio desvincular-me do SDPS por não me sentir representada. Dei conhecimento aos Serviços Administrativos da Escola.
Com os melhores cumprimentos
Fulana
Anónimo escreveu: "...a divisão dos professores,neste momento, começou com a marcação do dia 15/11...". Negativo, a divisão começou com a assinatura do Memorando pela Plataforma, e cujas consequências estamos a sofrer na pele. Que os sindicalistas trataram deles (vide Concurso Extraordinário para Titulares...), da fama já ninguém os livra. Agora vêm acusar-nos de divisionistas? Quem é que se auto-excluíu? Quem é que diz que nos representa, mas depois não nos apoia? Em nome da UNIDADE eu até vou à manif do dia 8, mas muito antes, o meu cartão do sindicato terá sido devolvido. Irei, como disse Ramiro Marques, como um espírito livre.
Colega, não é por acaso que escrevi "neste momento".Neste momento é neste momento - Outubro de 2008, antes da reunião dos sindicatos com a ministra.Esta reunião era do conhecimeto dos professores e dos promotores da Manif de 15/11."acbemos com os sindicatos!". E depois vão os ,senhores da apede negociar com a ministra? Nem na 5 de Outubro conseguem entrar.
Afinal:
Dum lado temos as entidades que todos conhecem, com erros, percalços e pequenas vitórias, que são os velhos sindicatos que se encontram desgastados e que representam legalmente os professores perante tudo, inclusivamente perante o ministério.
Do outro lado temos os movimentos espontâneos, com boa prosa que acenam com as bandeiras da liberdade e da autonomia, discurso anti-sindicalista, mas que ninguém conhece as suas opções politicas, nem como pretendem gerir toda a situação após manif.
Não temos grande escolha, é verdade.
Mas antes de escolherem investiguem. Não se deixem levar pela euforia do momento, porque as lutas do ciberespaço são muito diferentes das lutas reais.