O banco de fichas de avaliação de desempenho de João Garcia. Partilhar é a única forma de sobreviver à loucura
1. O colega João Garcia criou um banco de fichas de avaliação de desempenho . Algumas fichas de avaliação de desempenho foram retiradas de blogs, entre os quais o ProfAvaliação. O trabalho de João Garcia é muito útil. Sempre disse que a partilha de documentos é a única via para sobreviver à loucura e irracionalidade que cobrem as escolas e definham a profissão docente. Ao invés de alguns colegas que, por inveja ou mesquinhez, se recusam a divulgar e a partilhar os seus documentos, João Garcia seguiu o meu conselho e fez o oposto. Fez bem.
2. Criou uma página web e arrumou bem os documentos. Aconselho uma visita. A única forma de derrotar o modelo burocrático de avaliação de desempenho é conduzi-lo ao descrédito. Não há condições políticas para a revogação do decreto regulamentar 2/2008 e do decreto lei 15/2007 nos tempos mais próximos. Sejamos realistas A luta dos professores deve centra-se em metas realistas. E se quisermos ser realistas, temos de dizer que, a médio prazo, o objectivo é simplificar o modelo, pondo fim aos aspectos mais burocráticos, time consuming e injustos. Já apontei críticas ao modelo.
3. A principal é o facto de ser um modelo que impõe uma avaliação entre pares. É essa avaliação entre pares que o torna injusto, parcial e burocrático. A avaliação do desempenho dos profissionais que trabalham por conta de uma entidade patronal deve ser feita pela entidade patronal. Neste caso, o ME. Os profissionais que trabalham por conta de um entidade patronal, como é o caso dos professores, têm mais do que fazer do que perder tempo a construírem grelhas e a fazerem reuniões e relatórios para avaliarem os colegas. A missão do professor não é avaliar os colegas: é avaliar os alunos. A avaliação entre pares é perigosa, cria um péssimo ambiente na escola e é sempre parcial. Enquanto não houver condições políticas para pôr fim à avaliação entre pares, o único objectivo realista é lutar pela simplificação do actual modelo.
4. Quem defende o contrário, ou vive na lua ou gosta do modelo. Convém não esquecer que, na profissão docente, também há burocratas.
"Convém não esquecer que, na profissão docente, também há burocratas."
Sim, claro. Agora está tudo a "céu aberto".
O problema é a desmotivação total dos (bons) professores. Se "isto" não for travado rapidamente francamente muito em breve o caos social em Portugal será total. É catastrófico.
Os alunos nem parecem os mesmos! Pressentem tudo o que se passa com os seus professores. Os jovens não são como os adultos; têm "radares"...
Não resisto a um boa controvérsia, Ramiro. Discordo e digo porquê aqui: um modelo incoerente só pode ter um destino: o caixote do lixo/ :)
Um abraço
Obrigado, Miguel! O debate é sempre uma coisa boa. Não é necessário haver unanimismo. Basta que haja coragem.
Muito útil, na perspectiva que o Ramiro coloca a questão. De facto.
A técnica que levaria a que todos deixassemos de fumar consiste em prescrever fumar fumar fumar. O problema é que acarreta problemas gravíssimos de saúde!
No caso das "fichas" não acarreta problemas para a saúde, muito pelo contrário. Tranquiliza. Faz bem á saúde mental. Os professores mantêm-se mais disponíveis para os alunos e para constatar as palhaçadas do trio (agora quarteto).
É também uma muito boa estratégia de luta. Sem dúvida.
Tranquiliza. Coloca em evidência o absurdo.
Ana
Agradeço a referência ao meu sítio (http://joaomgg.com/avaliacao). Os elogios devem, no entanto, ser dirigidos aos colegas que disponibilizaram os documentos.
A força do profblog é tão grande que, após a referência do Ramiro, o "meu" sítio teve uma avalanche de visitas.
Continue o bom trabalho que tem realizado.
Ramiro,
Partilho grande parte dos pontos de vista do Miguel. Sobre o assunto escrevi o seguinte:
http://fjsantos.wordpress.com/2008/10/02/reflexividade-avaliacao-classificacao/
E um esforço louvável, o do colega João Garcia. Já estou inscrito no seu fórum.Discordo profundamente da afirmação aqui feita acerca do nosso objectivo a médio prazo: "simplificar o modelo". Nem pensar! Podemos vergar durante todo este ano mas não devemos quebrar, pedindo ou aceitando qualquer suavização do modelo do ME!O nosso objectivo é a substituição deste modelo surrealista por um modelo sério e formativo.Pelo caminho é necessário enterrar o ECD que nos foi imposto.Estes têm que ser os nossos objectivos no curto e medio prazo, não importa a ordem.
Tudo bem - mas... é o que a ministra quer fichinhas feitas e o processo ainda não está concluído ...então onde é que está a nossa crítica à avaliação? Critica-se mas faz-se. Ou percebi mal?