A famigerada aplicação informática para centralizar a avaliação de desempenho existe ou é um rumor?

Paris
1. Os professores foram surpreendidos com os rumores que começaram a circular na blogosfera sobre uma putativa aplicação informática que a DGRHE estaria a preparar com o objectivo de centralizar a recolha de dados sobre a avaliação de professores. 
2. A veracidade dos rumores foi confirmada no blog educacaosa, um blog habitualmente bem informado sobre o que se passa nas reuniões do Conselho de Escola. Segundo esse blog, teria havido uma nova reunião, na semana passada, do Conselho de Escolas com a ministra da educação onde, no ponto de informações, MLR terá dito que a DGRHE estaria a preparar uma aplicação informática para centralizar a recolha de dados sobre a avaliação de desempenho. Essa aplicação estaria online, na página web da DGRHE, antes do final do ano lectivo.
3. Alguns dias depois, o blog terrear, editado por Matias Alves, membro do CCAP, confirma essa intenção, ao publicar um excerto do fórum da DGRHE, onde se respondia a uma questão com a afirmação de que a aplicação estava em preparação:
Pergunta: As fichas de avaliação podem ser informatizadas num processo interno da escola?
Resposta da DGRHE: Sim, desde que não sejam alteradas as fichas aprovadas pelo Despacho n.º 16872/2008, de 23 de Junho. Este procedimento não dispensa o preenchimento na aplicação central, logo que este esteja disponível.
4. Tudo isto ficaria mais claro se o Conselho de Escolas deixasse de ser uma organização semi-clandestina. Uma consulta à página web do CE, deixa-nos ainda mais baralhados: não há qualquer referência às reuniões, não há comunicados, nem acta nem resumos de reuniões. A única coisa que há são os links para as quatro recomendações do CCAP. O CE sujeita-se a ganhar o prémio da página web mais pobre da Internet.
5. Em que ficamos? Estou em crer que a construção da aplicação informática está em curso e visa dois objectivos: centralizar o processo de recolha de dados sobre a avaliação de desempenho, obrigando os PCEs e, provavelmente, os coordenadores de departamento à entrega de dados com uma periodicidade curta e regular; pressionar, por esta forma, as escolas a avançarem com o processo, uma vez que a entrega periódica de dados na aplicação faz com que a DGRHE tenha uma retrato actualizado do estado do processo em cada escola. A DGRHE possui já uma aplicação para os PCEs fazerem o ponto da situação. Essa aplicação já está online desde Setembro. A nova aplicação será mais abrangente e incluirá o preenchimento de dados referentes a cada professor da escola ou do agrupamento. Essa nova aplicação estará online em breve - seguramente antes do final do ano - e será usada apenas pelos PCEs e talvez também pelos coordenadores de departamento.  Recuso admitir que essa aplicação informática esteja acessível aos avaliados. Estes continuarão a preencher as fichas de avaliação de desempenho criadas e aprovadas pelas escolas. É provável que, no próximo ano lectivo, o preenchimento das fichas de avaliação de desempemho, em cada escola, se faça através do Moodle.

17 Response to "A famigerada aplicação informática para centralizar a avaliação de desempenho existe ou é um rumor?"

  1. Anónimo says:

    C VITAE - MLurdes R - ESPANTOSO!!!


    Interessante é ver como, em Portugal, um Professor que NUNCA FOI AVALIADO chega ao topo da Carreira Docente (Ministra da Educação!) e se põe a disparar em todos os sentidos contra os Professores-não-avaliados.
    Vejamos, a Drª Maria de Lurdes tirou o antigo 5º (actual 9º) ano e ingressou no Magistério Primário (naquele tempo eram dois anos de curso). Deu aulas na Primária até se inscrever no ISCTE (com o 5ºano + 2 anos de Magistério Primário!).

    Ao fim de 5 (CINCO) anos de estudos em curso nocturno, saiu com um DOUTORAMENTO que lhe permitiu dar aulas(?!) no ISCTE, por acaso onde o sr. engenheiro fez a pós-graduação (mestrado?) a seguir à 'licenciatura' da Universidade Independente.
    Digam lá que não lhe deu um certo jeito nunca ser PROFESSORA AVALIADA!

    Do outro lado da barricada, também era CONTRA a avaliação dos Professores, não era Drª Maria de Lurdes? Pelo menos o seu ex-Professor Iturra diz que sim... e ainda nenhum ex-aluno veio aqui para os fóruns gabar-lhe os dotes docentes! Não teremos mesmo melhor? Os professores poderão lidar com os alunos como a Srª lida com os professores? Exigir-lhes tudo, ensinando pouco e com tão parco exemplo?

    Publicada por ILÍDIO TRINDADE

    Anónimo says:

    Avaliação de Professores no Mundo

    Avaliação de Professores em Portugal

    Onde se inspirou o governo português para conceber um modelo de avaliação tão burocrático? Em declarações ao órgão de propaganda do PS a ministra da educação afirma que se inspirou em modelos de avaliação existentes na Inglaterra, Espanha, Holanda e Suécia (Março de 2008). Os professores destes países negam tal afirmação. O modelo que maiores semelhanças tem com o português é o chileno, mas seja mesmo assim menos burocrático.
    Estamos pois perante o sistema de avaliação mais burocrático do mundo, e que fomenta o fim do trabalho cooperativo nas escolas. Não admira que ao aperceber-se da gravidade do problema, o próprio ME tenha vindo a apelar para que cada escola simplifique o sistema, criando desta forma uma disparidade de modelos e de critérios de avaliação no país.

    Consultas:

    Avaliação de Professores na Alemanha

    1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem quadros de escola, tal como existia em Portugal.

    2. Aulas Assistidas: Acontecem durante o período de formação e depois de 6 em 6 anos. A aula tem a duração de 45 minutos e é assistida pelo chefe da Direcção escolar. Essa assistência tem como objectivo a subida de escalão. Depois de atingido o topo da carreira, acabaram-se as aulas assistidas e não existe mais nenhuma avaliação.

    3. Horários dos Professores. Não existe diferença entre horas lectivas e não lectivas. Os horários completos variam entre 25 e 28 horas semanais.

    4. Avaliação de Alunos. As reuniões para efeito de avaliação dos alunos têm lugar durante o tempo de funcionamento escolar normal, nunca durante o período de interrupção de actividades ou de férias. Tanto na Alemanha como na Suíça, França e Luxemburgo, durante os períodos de férias as escolas encontram-se encerradas. Encerradas para todos, alunos, pais, professores e pessoal de Secretaria. Os alunos e os professores têm exactamente o mesmo tempo de férias.
    Não existe essa dicotomia idiota entre interrupções lectivas, férias, etc.

    5. Horários escolares: Nas escolas de Ensino Primário as aulas vão das 8.00 às 13 ou 14 horas. Nos outros
    níveis começam às 8 .00 ou 8.30 e terminam às 16.00 ou, a partir do 10° ano,às 17.00.

    6. Férias: cerca de 80 dias por ano, embora possa haver ligeiras diferenças de Estado para Estado.

    7. Máximo de alunos por turma: 22



    Avaliação de Professores na Suíça

    1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem quadros de escola (Professores do quadro).

    2. Aulas Assistidas: Estas aulas só ocorrem durante a formação e para a subida de escalão.

    3. Férias. As escolas durante o período de férias estão encerradas. Total de dias de férias: cerca de 72 (pode haver diferenças de cantão para cantão) .

    4. Os horários escolares: Idênticos aos da Alemanha. Até ao 4° ano de escolaridade, inclusive, não há aulas de tarde às quartas-feiras, e terminam cerca das 11.30.

    5. Máxima de alunos por turma: 22.

    Avaliação de Professores na Bélgica

    1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem quadros de escola (Professores do quadro).

    2. Aulas Assistidas. As aulas Assistidas só ocorrem quando são solicitadas pela direcção da escola, mas não contam para efeitos de progressão dos docentes.

    3. Avaliação das Escolas. A avaliação dos professores está englobada na avaliação das escolas. Avalia-se o trabalho da escolas, e desta forma o trabalho dos professores que nelas exercem a sua actividade.

    Avaliação de Professores na Inglaterra e País de Gales

    1. Categorias. Os professores do ensino público estão divididos em função de duas categorias salariais: A Tabela Salarial Principal (dividida em 6 níveis) e a Tabela Salarial Alta (dividida em 3 níveis).

    2. Avaliação. A progressão nas tabelas depende dos resultados da avaliação contínua e que envolve o director da escola, o conselho directivo e os "avaliadores de "performance".

    Avaliação de Professores na França

    1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular.

    2. Aulas assistidas. As aulas assistidas só ocorrem no mínimo de 4 em 4 anos, a regra é de 6 em 6 anos, e são observadas por um inspector com formação na área do professor. O objectivo destas aulas é essencialmente formativo, tendo em vista ajudar os professores a melhorar as suas práticas lectivas.

    3. Progressão na carreira. Para além da antiguidade, são tidos em conta os resultados da observação das aulas e as acções de formação frequentadas pelos professores.



    Avaliação dos Professores em Espanha

    1.Descentralização. A única legislação nacional que existe sobre avaliação dos professores e sistemas de promoção contemplam apenas o ensino básico. Cada "Comunidade Autonómica" estabelece os seus próprios critérios para a progressão dos professores.

    3. Avaliação. Embora não existam progressões automáticas, na maioria dos casos as mesmas são feitas com base na antiguidade.

    Avaliação de Professores nos EUA

    1. Descentralização.. Cada um dos 13 mil distritos escolares tem os seus próprios critérios de recrutamento, de carreira, avaliação de desempenho, promoção ou de pagamento.

    2. Avaliação. Não existe um sistema único de avaliação. Nos distritos onde existe avaliação, esta pode ser feita pelo director da escola ou entre os próprios professores.

    3. Progressão. Em geral os aumentos salariais são feitos em função do tempo de serviço.

    Avaliação de Professores no Chile

    O Ministério da Educação de Portugal terá copiado o modelo chileno de avaliação ?. ( Consultar ) . Estes modelos foram já objecto de uma comparação muito elucidativa das suas semelhanças e diferenças.

    Comparação

    Modelo de Avaliação Português / Modelo de Avaliação Chileno

    Periodicidade

    1. A avaliação global é feita de 2 em 2 anos.

    2. A avaliação serve sobretudo para contagem de serviço para a progressão na carreira (existem cotas para a categoria de titulares).

    1. A avaliação é feita de 4 em 4 anos.

    2. A avaliação serve sobretudo para premiar financeiramente os melhores desempenhos, os quais pode ir até 25% do salário mínimo nacional chileno (não existem cotas para estes prémios).
    Instrumentos de Avaliação

    1. Fichas de auto-avaliação do professor;

    2. Ficha dos objectivos individuais de cada professor;

    3. Ficha de avaliação dos objectivos individuais do professor;

    3. Portefólio do professor

    4. Avaliação do portefólio do professor avaliado;

    5. Entrevista pelo professor avaliador. Implica o preenchimento de ficha de avaliação.

    6. Avaliação pelo coordenador do Departamento Curricular. Implicando o preenchimento de ficha de avaliação).

    7. Avaliação pela Comissão Executiva (Director). Implica o preenchimento de ficha de avaliação).

    8. Assistência do avaliador a pelo menos 3 aulas em cada ano lectivo. Implica o preenchimento de 3 fichas de avaliação.

    1. Fichas de Auto-avaliação;

    2. Entrevista pelo professor avaliador;

    3. Avaliação do director ou do chefe técnico da escola;

    4. Portfólio, que inclui a gravação em vídeo de uma aula, de 4 em quatro anos.

    Níveis de Desempenho e Resultados da Avaliação

    1. Excelente (com cota fixada pelo governo). Duas vezes seguidas reduz em quatro anos o tempo de serviço para acesso à categoria de titular; Quatro vezes seguidas dá direito a prémio de desempenho.

    2. Muito Bom (com cota fixada pelo governo). Duas vezes seguidas reduz 2 anos o tempo;

    3. Bom. Classificação mínima necessária para progredir.

    4. Regular. Não progride. Proposta de acção de formação contínua;

    5. Insuficiente. Não progride. Pode determinar a reconversão profissional.

    1. Destacado ou Competente. Recebe um abono suplementar mensal. O abono dura três e quatro anos.

    2. Insatisfatório. Repete a avaliação no ano seguinte. Se na segunda avaliação tiver o mesmo resultado e deixa de dar aulas, durante um ano. Se tiver uma terceira avaliação negativa sai da carreira, mas recebe um abono.

    Nota:
    Esta informação é a verdade, sem demagogias e não serve para caçar votos. Envia-a ao maior número de colegas possível, seguindo o princípio que indivíduo informado vale por dois.
    Não nos podemos deixar enganar !!!

    Anónimo says:

    C. Vitae
    Esqueci-me de referir: o texto circula na net, não foi aqui "postado" pelo nome que figura no fundo do texto.
    Achei interessante divulgá-lo, as minhas desculpas ao autor.
    Maria Eduarda

    fjsantos says:

    Ramiro,
    a aplicação existe, está online, mas como bem referes, não setá disponível para os avaliados.
    Destina-se exactamente a permitir aos serviços centrais terem um retrato fiel do processo em cada escola e em cada dia.
    http://fjsantos.wordpress.com/2008/10/09/ja-esta-online/

    Anónimo says:

    Mas esta aplicação não está online desde o dia 10 de Setembro na DGRHE / Escolas / Avaliação?

    Alice

    Anónimo says:

    Não são rumores. Na minha escola, está afixado um documento do PCE que confirma o tal dispositivo que vai estar on-line.
    Não sabemos lá muito bem o que é mas que algo vai ser colocado para os PCEs, os profs avaliadores e os que vão ser avaliados preencherem, é verdade.
    ana s.

    Anónimo says:

    Estão a ir embora 400 profs por mês. Infelizmente, não posso fazer o mesmo.
    Todos os que ficarem (se não nos mexermos) serão massacrados até ao limite e já estamos lá muito próximo!
    Como é possível não actuar?
    Depois de sermos "cilindrados" ao longo do ano, MLR e Sócrates poderão vir para os OCS dizer que, pela 1ª vez, se fez a avaliação de professores!!! Só de pensar nisto fico doente!
    ana s.

    Abelhuda says:

    Colegas:
    Na minha escola só se afirma: não há nada a fazer! É o descalabro, mas temos que continuar...Como é possível que pessoas que pensam, se deixam dominar desta maneira?Ainda nos admiramos de nazismos, facismos e outros "ismos"?

    ramiro says:

    O processo de domesticação dos professores é semelhante ao que Salazar usou nas décadas de 30 e 40; apenas mais subtil mas com o mesmo efeito: medo e silêncio. Estou convencido que será possível realizar concentrações com um número razoável de professores em Braga, Porto, Coimbra e Lisboa, no dia 15 de Novembro. Acho que o movimento deve começar pelo Norte e Centro e alargar-se às zonas mais fracas do Sul. E o movimento deve contar com as associações de professores e sindicatos. Todos são bem-vindos. Deixem, por favor, de acusar os sindicatos. Eles merecem, mas já chega de acusações que não levam a lado nenhum e só enfraquecem. Vamos apelar à unidade de todos!

    Anónimo says:

    essa aplicação da DGRHE já existe desde Setembro e serve para o CE registar se já aprovou as fcihas, os indicadores de medida, se não, quando é que aprova, se já definiu objectivos, se não quando define e indica como data limite o fim de Setembro, solicita identificação de constrangimentos e dificuldades.
    Não deve ser esta a aplicação a que se estão a referir recentemente. Esta já está on-line há muito tempo; claro que as respostas do CE a que pertenço são não a tudo, nada aprovado, sem data para aprovar, sem data para objectivos, porque o constrangimento é: falta de tempo.

    Anónimo says:

    fichas claro... já ando disléxica com esta palavra.

    ramiro says:

    Anónimo das 17:19
    Refiro-me a uma nova aplicação mais abrangente e que inclui fichas para os PCEs preencherem sobre a situação de cada professor da sua escola. Eu explico isso no post.

    Anónimo says:

    Na Escola Secundária António Granjo, em Chaves, os professores, por unanimidade, abandonaram as reuniões de departamento onde se discutiam as diferentes fichas. Tomaram esta atitude por discordarem deste modelo de avaliação. Esta decisão ficou lavrada em todas as actas.

    Anónimo says:

    O meu PCE que pertence ao Conselho de escolas deu a informação no CP que os objs.individuais terão de ser enviados para a DGRHE , e para os professores que não têm códigos se registarem.

    Ana Paula says:

    Ainda acrescentou que essa nova aplicação, que brevemente estará on-line, receberá os obj.individuais e que poderá devolvê-los se o documento tiver objectivos em excesso.Parece que aceita até 11 objectivos por docente.

    LC says:

    Concordo com o Ramiro. Apesar de não terem feito um bom trabalho os sindicatos são necessários.
    Sem eles ainda teríamos uma sociedade como a da Revolução Industrial.
    Mas, se não abrirmos os olhos, para lá voltamos a passos largos.

    Anónimo says:

    nunca ouvi falar desta aplicação
    na minha escola nao se falou de nada