Crepúsculo. Um poema do Luís Costa
A cada dia que passa,
Mais doze mestres se vão!
Resta a tísica carcaça
De um triste corpo sem raça,
Prostrado no sujo chão!
Vão-se os nobres cavaleiros,
A alma do batalhão,
Ficam os novos braceiros,
Mais pacatos, mais ordeiros,
Mais dados a sujeição.
As sentinelas rendidas
Desertam do quarteirão:
Nada fazem, estão vendidas
E assistem às partidas
De lenço branco na mão!
Vai-se o senado embora,
Sem honra nem gratidão!
Neste Portugal de agora,
Há um futuro que chora
No silêncio da Nação!
Luís Costa
Nota: republico este maravilhoso poema do Luís Costa porque, para além de muito belo, é apropriado ao dia de hoje.

Não resisti! Acabei de imprimir o poema e a imagem para levar amanhã para a minha escola. Estas coisas têm de ser partilhadas. Obrigada mais uma vez aos dois (Ramiro e Luís Costa).Têm sido extraordinários.
Obrigado, Isabel R. O mérito é do Luís. É um grande poeta. A poesia dele ficará para sempre associada à luta dos professores. Para mim, é uma honra ceder-lhe espaço e leitores.
Acho uma excelente ideia os colegas imprimirem o post e afixarem as poesias do Luís Costa na sala de professores. Não haverá um único PCE que caia no ridículo de impedir.
Parabéns Luis. Mais uma vez, excelente.
Já que anda tudo pelo blog do Guinote, aproveito a calmaria que por aqui vai. Evitei opinar sobre a manif. do dia 15 (onde estarei, se se realizar. Já sei que vou apanhar porrada pelo "se", mas paciência). O mesmo sobre outras possíveis manif.s (Fenprof). Sou crítico, muito crítico das posições sindicais em todo este processo. Mas não anti-sindicatos. Afinal os sindicatos foram (as direcções)eleitos por professores, tal como o PS foi eleito por nós (por mais que isso nos custe. E também já disse que ser consensual não faz parte das minhas prioridades)). Quem não gosta vote ao lado. Ou atrás, ou à frente...
Assistimos ao nascer (?) de divisões entre os professores, potenciadas por este modelo de avaliação. Não podemos fugir a essa responsabilidade. No início do processo escrevi (por acaso um jornal diário publicou), que os media estavam a cavalgar a onda de um grande descontentamento, fazendo passar a imagem dessa divisão. Hoje constato que tinham alguma razão. Tenho dito, quase até à exaustão, que disparar sobre CEs, titulares, CCADs, avaliadores e derivados era o caminho errado, tal como tenho dito que a luta principal tem que estar centrada nas escolas. E reafirmo essa ideia. É aí que se tomam as posições difíceis e é aí que muito pode ser mudado, procurando algum equilíbrio, alguma justiça, alguma tranquilidade. As manif.s são importantes, mas, mais importante, é a vida na escola. Agora que parece estar tudo decidido, eu, grãozinho de areia nesta praia imensa, reivindico também o direito a apresentar a minha proposta: GREVE. Dia 14 de Novembro. Ou dia 7, tanto faz, desde que haja tempo para alguma preparação. E não me lixem com essa da sexta-feira. A opinião pública que se amole. Estaremos mortinhos e enterrados quando a opinião pública nos der razão. E aí, provavelmente será um pouco tarde. É na escola que as coisas acontecem. É na escola que os pais têm de sentir o nosso descontentamento. E não me digam que não há "entusiasmo" para uma greve nesta altura. Ou o entusiasmo é só p'ró desfile? Muitos têm dito que a luta será dura. Pois será, será. E se não for agora em que o descontentamento é de facto imenso, como há muitos anos não acontecia e por razões mais do que justificadas, então podemos arrumar as botas por mais uns anitos. A luta é agora e é dura. E terá que ser com os sindicatos, os movimentos mais ou menos independentes e os professores alinhados ou desalinhados, penteados ou desgrenhados, titulares, condes, marqueses e da plebe... e os outros também.
Abraço a todos (também aos que gostam de consensos e aos que nem por isso).
motta
Duas notas:
comentário 587 aqui:
http://educar.wordpress.com/2008/10/14/cada-macaco-no-seu-galho-e-com-a-sua-banana/#comments
http://professorsemquadro.blogspot.com/2007/04/sindicalismo.html
Este poema retrata fielmente o sentimento que se vive nas escolas e a fuga daqueles que já não aguentam mais. Fui à página da Caixa Geral de Aposentações, dei-me ao trabalho de os contar e, no mês de Novembro, aposentar-se-ão 702 professores e educadores de infância. Se não tem nada a ver com descontentamento, como refere Valter Lemos, então tenho de concluir que os professores envelheceram precocemente, o que parece ser um fenómeno no mínimo estranho.
Colega Mota! Obrigado. Excelente depoimento.
Luís, já copiei, está no meu blog.
Obrigada :))