Agrupamento Vertical de Gueifães, Maia, suspende a avaliação do Parâmetro B1. Um exemplo a seguir. Uma argumentação infalível
AGRUPAMENTO VERTICAL DE ESCOLAS DE GUEIFÃES ESCOLA BÁSICA DOS 2º e 3º CICLOS DE GUEIFÃES – MAIA ( código152020)
Exma. Senhora Ministra da Educação:
A Comissão Provisória Administrativa e o Conselho Pedagógico deste Agrupamento de Escolas vêm por este meio manifestar a V. Ex.ª a sua apreensão pelo facto de, no corrente ano lectivo, ser evidente a impossibilidade de utilizar os dados dos resultados escolares dos alunos na avaliação de desempenho dos docentes.
A complexidade do modelo de avaliação apresentado, a diversidade de situações e de contextos para a sua aplicação e adequação, comprometem a equidade de todo o processo de avaliação de desempenho. Paralelamente e cumulativamente, a falta de formação atempada e as inúmeras tarefas que os professores têm que desenvolver diariamente na escola obstam a que a totalidade dos documentos e das orientações necessárias para a implementação do processo de avaliação de desempenho estejam concluídos neste momento. Muitas e muitas horas de trabalho, desde Janeiro de 2008, estão já hipotecadas na tentativa da operacionalização/adequação das dinâmicas, dos processos e dos instrumentos balizadores/orientadores
deste modelo. Contudo, apesar do esforço imenso e do elevado profissionalismo com que os docentes deste agrupamento têm trabalhado para conseguirem implementar o processo de avaliação de desempenho, os indicadores referentes à relação entre avaliação dos alunos e avaliação dos docentes e respectivos instrumentos estão ainda numa fase muito embrionária.
Os alunos e suas famílias, por um lado, e os docentes, por outro, merecem a consideração de um tratamento idóneo e justo. A utilização indevida e irreflectida dos resultados escolares para efeitos de avaliação de desempenho dos docentes terá, estamos certos, consequências nefastas para ambos e para o ensino.
Esta preocupação está bem patente na recomendação nº 2 de Julho de 2008 do Conselho Científico para a Avaliação de Professores que a seguir se transcreve: ...
"4.1. A melhoria dos resultados escolares constitua, em primeira instância, uma responsabilidade partilhada pela escola e pelo docente;
4.2. Os conselhos de docentes, de departamento e de turma se constituam como instâncias de participação
fundamental neste domínio, em diferentes fases do processo, desde a análise e diagnóstico do desempenho
escolar da turma e seus contextos à avaliação final dos resultados atingidos;
4.3. Na apreciação da evolução dos resultados escolares para efeitos de avaliação de desempenho, a direcção da escola se apoie nas análises e pareceres dos conselhos de docentes, de departamento e de turma sobre o comportamento dos resultados escolares das turmas que o avaliado leccionou;
4.4. A tutela pondere a adopção de medidas pelos serviços centrais do Ministério da Educação com
responsabilidades na produção de instrumentos de aferição das aprendizagens e de estatística, destinadas a criar condições para viabilizar, de forma credível e segura, a utilização dos resultados escolares para efeitos de avaliação do desempenho docente;
4.5. Seja de igual modo ponderada a adopção de medidas que capacitem os docentes em matéria de avaliação aferida das aprendizagens, de modo a garantir uma utilização correcta dos resultados escolares na avaliação do desempenho docente;
4.6. No caso particular da aplicação do processo de avaliação de desempenho ao ano escolar de 2008-2009, o progresso dos resultados escolares dos alunos não seja objecto de aferição quantitativa;
4.7. No ano escolar de 2008-2009, cada escola aprofunde os instrumentos de monitorização das aprendizagens, de forma a consolidar uma cultura de avaliação e estar em condições de interpretar os indicadores de resultados escolares, de acordo com critérios e instrumentos a construir.”
Face ao exposto e considerando as recomendações do CCAP, foi decidido suspender a avaliação do parâmetro B1 no Agrupamento Vertical de Escolas de Gueifães e solicitar à DGRHE apoio para, entretanto, trabalhar os instrumentos necessários à monitorização das aprendizagens dos alunos.
Certos da compreensão de V. EXª apresentamos os nossos mais respeitosos cumprimentos.
Escola EB 2,3 de Gueifães em 22 de Outubro de 2008
O Presidente da Comissão Provisória Administrativa
A Presidente do Conselho Pedagógico
Fantástico, quando o fazem. Duplamente fantástico quando produzem moções que desmascaram a podridão deste modelo.
É de louvar esta posição.
Mas, e tudo o resto é possível?
Só este parâmetro é que é polémico?
Os avaliadores têm competências para observar aulas e quantificá-las? Isto é honesto? Só porque a tutela acha que iiso é possível.
E actividades extracurriculares? O que significam? Por que razão se é avaliado por esse parâmetro?
Então, avalie-se, também, quem se dedica cem por cento à escola e não acumula, não dá explicações, etc...
O importante não é fazer, é fazer de conta que se faz.
Regina P.
Para algumas escolas ultra-ortodoxas, como a do Presidente do Conselho de Escolas, este é um bom exemplo de como o monstro se transforma num monstrinho em que tudo faz-de-conta. Respeitar o CCAP e as suas esquecidas recomendações são bálsamo para algumas escolas. Por mim, fica a outra parte, a avaliação entre pares que não pode ter a dimensão classificativa, quando o par que avalia concorre ao mesmo bolo do avaliado ou quando ao avaliador não se reconhece competência para ser formador do avaliado. Ainda para a avaliação do PCE falta criar o empenhómetro, aquele aparelho que mede o empenho.
Pois, e as acções sobre avaliação (iguaiziiiiiiiiinhas a todas as outras que durante anos foram facultadas)vão capacitar todos os formandos em verdadeiros avaliadores. Mas as outras acções de formação eram uma "vergonha" para a classe docente.
E que me dizem da acção de formação que foi um congresso e a este todos os professores foram convidados a participar. Dois dias ou partes desses dois dias, um trabalho a apresentar num sábad, e 25 horas de formação dadas (de mão beijada)- formação especializada.
Mas as outras acções de formação eram uma "vergonha" para a classe docente.
Bem tenho de ir trabalhar.
Regina P.
Até que a casa caia
Público, 28.10.2008, Helena Matos
"Entrou-se numa espécie de loucura pedagógica e as disciplinas onde se transmitem saberes foram perdendo importância
Os humoristas são regra geral umas almas soturnas. A graça, quando a têm, extingue-se-lhes mal acabam os espectáculos. E desistam aqueles que esperam que, no meio dum jantar de amigos, eles façam de animadores, pois habitualmente são os menos divertidos dos convivas. Para desconsolo geral, declaram que nem sabem contar anedotas e passam rapidamente aos assuntos que os interessam como a poesia, a política internacional ou o futebol. Mas sempre num registo de grande preocupação. Talvez por causa dessa apreensiva quando não angustiada forma de estar devamos a José Pedro Gomes, precisamente o da Conversa da Treta, uma das mais sérias chamadas de atenção para a situação do ensino em Portugal. Talvez pela obrigação do ofício lhe tenha parecido estranho ouvir o bastonário da Ordem dos Engenheiros declarar que "Apenas quatro politécnicos exigem Matemática como disciplina específica para acesso aos cursos [de Engenharia]. Os restantes alunos podem entrar com negativa, sem Matemática, porque não é exigido". Infelizmente, e ao contrário do que aparentemente parecia, o bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, não estava a contar anedotas. Estava, sim, a dar conta da degradação real do ensino em Portugal. E foi sobre isso que José Pedro Gomes escreveu num artigo de opinião para um jornal.
Creio, contudo, que José Pedro Gomes teria sido mais bem sucedido se tivesse resolvido encenar anedotas sobre engenheiros que não estudam Matemática. Pelo menos toda a gente se ria do desconchavo e elogiavam a imaginação do artista. Naturalmente todos se achavam muito sagazes, pois os portugueses, como todos os povos que exercem mal os seus direitos, sempre gostaram de fazer de conta que a eles ninguém os engana nem censura porque interpretam melhor que ninguém as entrelinhas das anedotas. Assim, sem anedota, apenas com factos, nem se riram nem se preocuparam. Olharam para o lado. Um lado com bom ângulo que os poupe a ver aonde nos tem conduzido essa conversa da treta a que temos chamado reforma da educação, paixão pela educação, pedagogia do sucesso...
Nos últimos anos, nos ensinos básicos e secundário, institucionalizou-se uma espécie de loucura pedagógica. As disciplinas onde se transmitem saberes foram perdendo importância. Se eram difíceis, tornavam-se fáceis ou dispensáveis, como agora se viu com a Matemática. Simultaneamente todos os dias se repetia (e repete!) que os conteúdos têm de ser apelativos, pois supostamente o ensino deve ser lúdico e os alunos devem aprender sem esforço. À conta desta política de promoção do sucesso, entra-se em Engenharia sem ter estudado Matemática e a disciplina de Química corre o risco de desaparecer no ensino secundário porque os alunos não a escolhem. Idem para o Latim e para a Filosofia. Adeus equações, declinações e pensamento racional. Estuda-se um bocadinho de Psicologia e o resultado é o mesmo. Uma vez na faculdade, logo se vê. E se os engenheiros ainda vão estudando Matemática durante o curso - embora não a suficiente, porque mais de metade dos licenciados pelos 316 cursos de Engenharia existentes em Portugal chumbam no exame que a Ordem dos Engenheiros exige para o exercício da profissão - no caso dos antigos cursos de Letras, transformados cada vez mais numa versão literária das antropologias e sociologias, corre-se o risco de ver desaparecer os departamentos de Estudos Clássicos.
Noutras disciplinas, como a Física, baixou-se o nível de exigência nos exames nacionais de modo a que as estatísticas melhorassem. Mesmo nas línguas estrangeiras a opção pelo que se acha mais fácil pode levar a que se troque o francês pelo espanhol. A memorização tornou-se uma expressão maldita e arreigou-se a convicção de que o saber nasce das entranhas das crianças num fenómeno equivalente à intervenção do Espírito Santo que fez dos Apóstolos poliglotas. Os desaparecidos Trabalhos Manuais e Oficinais deram lugar às doutas tecnologias e áreas disto e daquilo, sendo que nestas disciplinas os alunos tanto podem levar o ano a fazer caixinhas de papel tipo pasteleiro, pintar cartazes para salvar a água, estudar, com detalhe, nas etiquetas da roupa a simbologia do torcer e lavar a seco, confeccionar bolos com pouco açúcar ou usar abundantemente as teclas "seleccionar-copiar-colar" da sala dos computadores. E para quê queimar as pestanas a estudar Química? Não existe, em alternativa, uma panóplia de disciplinas muito mais fáceis que, diz o "pedagoguês", desenvolvem "novas competências e dinâmicas de interactividade"? Quanto aos professores, sobretudo com o actual modelo de avaliação, é sem dúvida bem mais fácil e propiciador de sucesso na carreira ser "ensinante" de Área de Projecto, nas quais os alunos invariavelmente obtêm melhores resultados, do que meter mãos à tarefa de dar aulas de Física ou Matemática.
A degradação do ensino não começou com este Governo. O que este Governo trouxe de novo foi a capacidade de transformar essa degradação, que os anteriores procuravam negar, num sinal de modernidade e progresso. Entrar em Engenharia sem ter feito exame a Matemática deixa de ser uma aberração e passa a "inovação". Os conteúdos não contam, o que conta é o embrulho tecnológico com que chegam às mãos dos alunos. O Ministério da Educação há muito que vive num universo de ficção. O que Maria de Lurdes Rodrigues conseguiu foi que assumíssemos que essa ficção é do domínio do grotesco e que já não nos indignemos com isso. Só o humorista, honra lhe seja feita, deu pelo sério da questão. E tratou de nos avisar que um dia a casa vem abaixo. "
Ora, nem mais!
Cara benilde:
Subscrevo, na íntegra, tudo o que escreve.E escreve muito bem!Como é bom ter orgulho naquilo que um colega faz!Orgulho de Profissão que tão espezinhada tem sido!
Agradeço a sua intervenção e desejo que todos mostremos que não é uma ministra ressabiada que nos vai destruir como seres humanos!Mostremos o nosso valor!Não somos "xicos-espertos" da nação.Esses são os que, por agora, nos governam.
Estes devem estar a treinar para qualquer coisa... com tanta bajulice, só pode.
rita
Parabéns Escolas de Gueifães!
Parabéns Escolas deste País!
Pelos nossos alunos, vamos aumentar a lista das Escolas que afirmam a sua revolta.
O poder de Sócrates convive mal com a inteligência!
E quando um avaliado não reconhece qualquer competência ao avaliador???????
E quando o avaliador está apenas algumas horas por dia na escola? E quando falta semanas seguidas? Hoje estive na escola das 8:30 até às 21:45. Como sabe o meu avaliador o que faço se nunca lá está?
Xinha
Não fui eu que escrevi, retirei do jornal Público de hoje e fiz a devida citação.
Extremamente certeiro!!. Mas, fica-me uma dúvida(só uma?), o que podemos ganhar com a suspensão do modelo, total ou parcial?Não estamos apenas a adiar o problema? que consequências a partir daqui?
Não estamos um pouco a identificar-nos com uma espécie de... "memorando" (passe a expressão), que tantos criticam ?
Estou com muitas dúvidas , tal como relativamente à não entrega dos objectivos:
O que acontece se os colegas do departamento se recusarem a entrgar os OI?Alguem me esclarece?
AINDA BEM QUE A MAIORIA NÃO É COMO O AGRUPAMENTO ONDE TRABALHO...A ESSES OS MEUS PARABÉNS!....O MEU AGRUPAMENTO NÃO TEM OS DOCUMENTOS TODOS APROVADOS EM PEDAGÓGICO...MAS JÁ TEM CALENDARIZADAS AULAS ASSISTIDAS A PARTIR DE 3 DE NOVEMBRO...FAJÕES..OLIVEIRA DE AZEMÉIS É MT MAIS À FRENTE....NAÕ TEM DOCUMENTOS...MAS VAI TER AULAS ASSISTIDAS!!!OLARILA!!! A TROCO DE QUÊ...NÃO SEI!
Não entrega OI não é avaliado.
Não é avaliado não progride.
Mas quantos é que na sequência desta avaliação iam progredir?
Uma ínfima percentagem.
Gosto deste arraial generalizado: cada escola, cada processo, cada tiro, cada melro.
Numa há fichas e não há objectivos;
noutras não há fichas mas há aulas observadas; noutras há fichas de observação de aulas com 150 itens...
noutras ainda não há fichas, nem objectivos, nem calendarização de aulas assistidas...
numas há delegações de competências em DR e noutras já não há por causa de uma lei que só o será a partir de 2009...
Belo País!!!
Mas tudo decorre normalmente ...
Regina
Santos Populares em Novembro!!!
Não, não e bem assim... não entrega objectivos não e avaliado. Penso que se os colegas não entregarem os objectivos quem tem de os apresentar é o coordenador e avaliar o colega...
Colegas:
Hoje a falar com um colega, pusemos a seguinte questão. Não seria uma forma de luta adequada os 100 MIL que estiveram em Lisboa e outros mais pedirem para não serem avaliados?
Um a um pedidos para as Direcções Regionais. Não progredimos agora um ou dois anos, mas poderíamos ter esta avaliação nas nossas mãos!
O que fariam eles?
Vamos pensar nisso?
Tinha era de ser uma acção bem pensada.
Os blogues podiam dinamizar. O que acham?
Não seria outra forma de luta?
Colega das 23.00
Ninguém pode definir objectivos pelo avaliado.
Ele desencadeia o processo pela apresentação de objectivos.
A pp MLR disse em reunião do Conselho de Escolas que quem não for avaliado não progride.
Pela posição desta escola, parece que apenas o primeiro parâmetro não é aceitável. Parece que este ano não é possível, mas para o ano já é. Acontece que não é assim.Este modelo está todo errado, assenta em pressupostos errados. Nenhuma escola consegue sobreviver a ele. É bom que pensem que não é um ano, é para sempre.
Gostaria de corrigir o anónimo das 22.54 h, para tomarmos decisões em consciÊncia.
Quem não entrega os objectivos , não é avaliado, logo não progride.
Mas, a maioria vai progredir ao contrário do que diz o colega, pois facilmente todos irão ser classificados de bom.
Claro que há excepções, e que são suficientes para este modelo ir abaixo, são os professores que estavam no antigo 7.º escalão e que para progredirem têm de passar o funil do concurso a titulares.