A principal dificuldade do modelo de avaliação dos professores reside no número de horas necessárias para o processo, cerca de 12 horas/ano por professor. A conclusão é do Agrupamento de Escolas D. João II, em Santarém, após realizar uma ‘avaliação teste’ a 16 professores efectivos durante o último trimestre do ano lectivo passado. António Pina Braz, presidente do conselho directivo do agrupamento, revelou que "a maior dificuldade sentida foi a gestão de tempo". No total contabilizou-se a necessidade de 12 horas/ano para a avaliação de cada professor do agrupamento. Uma escola secundária com 130 docentes gastará 1560 horas com a avaliação de desempenho. São 1560 horas de trabalho a mais sem benefícios para a qualidade do ensino e das aprendizagens. Ao invés, essas 1560 horas acrescem à carga horária semanal do professor que, em muitos casos, excede as 40 horas. São 1560 horas de trabalho que contribuem para a exaustão do professor e que o impedem de dedicar tempo e energia à preparação das aulas, à elaboração de materiais de ensino, à relação pedagógica, ao apoio inidividualizado e à avaliação dos alunos.
A propósito do excesso de carga horária semanal dos professores, leia este depoimento da colega Isabel Fidalgo:
"Hoje estou mesmo de "língua de fora".Trabalhei 3 horas de manhã, em casa, a adiantar a correcção de testes diagnósticos; de tarde, 6horas na escola, a dar aulas e a traçar objectivos individuais. Agora estou em casa a trabalhar na direcção de turma, com a ajuda do meu marido, porque não houve tempo para que o trabalho fosse feito no devido local. Passei o fim-de-semana sem pôr os pés na rua, a corrigir testes. Amanhã tenho que estar às nove e vinte na escola.
Vou na segunda semana de aulas e, não fora a experiência, seria uma lástima. Não sobra tempo para preparar estratégias que seduzam os alunos. Só a força anímica e o grande amor pelos jovens nos permitem continuar. Dentro da sala de aula esqueço tudo e sou feliz, porque vejo na actividade docente uma dimensão cultural e cívica que ainda me fascina. Mas hoje, tive que interromper uma aula, sentar-me dois minutos, segurar a cabeça, beber água e tomar um pacote de açucar para me segurar. ESTOU EXAUSTA!!!Ninguém consegue humanamente fazer tanta coisa ao mesmo tempo."
A propósito do excesso de carga horária semanal dos professores, leia este depoimento da colega Isabel Fidalgo:
"Hoje estou mesmo de "língua de fora".Trabalhei 3 horas de manhã, em casa, a adiantar a correcção de testes diagnósticos; de tarde, 6horas na escola, a dar aulas e a traçar objectivos individuais. Agora estou em casa a trabalhar na direcção de turma, com a ajuda do meu marido, porque não houve tempo para que o trabalho fosse feito no devido local. Passei o fim-de-semana sem pôr os pés na rua, a corrigir testes. Amanhã tenho que estar às nove e vinte na escola.
Vou na segunda semana de aulas e, não fora a experiência, seria uma lástima. Não sobra tempo para preparar estratégias que seduzam os alunos. Só a força anímica e o grande amor pelos jovens nos permitem continuar. Dentro da sala de aula esqueço tudo e sou feliz, porque vejo na actividade docente uma dimensão cultural e cívica que ainda me fascina. Mas hoje, tive que interromper uma aula, sentar-me dois minutos, segurar a cabeça, beber água e tomar um pacote de açucar para me segurar. ESTOU EXAUSTA!!!Ninguém consegue humanamente fazer tanta coisa ao mesmo tempo."



8 comentários:
Desde que iniciei este ano lectivo, estou a debater-me entre o amor(em regime de desgaste!)que tenho à minha profissão e a desilusão galopante que esta me está a causar, diariamente.
Na escola onde lecciono, os professores mostram rostos mortificados e exaustos, como resultado de horas de trabalho extra (na escola e em casa), que «oferecem», gratuitamente, a este Ministério de Educação que não respeita a nossa classe e que a lançou num deserto mais do que árido, onde os únicos tufos de vegetação seca são constituídos por legislação que vamos «engolindo», embora não a consigamos digerir de forma alguma.
Graças ao bendito sistema de comunicação que é a página da escola, recebemos e-mails a altas horas da noite com as mais recentes informações relativas ao processo de avaliação, o que nos faz trabalhar durante três turnos seguidos. Para além das categorias docentes já existentes, presumo que a ideia seja criar o «professor-morcego»: de dia, está fechado na escola como se esta fosse uma gruta ; de noite, tem de ter os olhos bem abertos e dedicar-se à caça de informações por mail, não vá algum pormenor passar-lhe ao lado.
Tristemente, tenho a certeza de que há muitos destes noctívagos, por aqui, acoli e acolá, a aguçar as presas para este monumental «churrasco» docente, para o qual se fabricam exaustivamente grelhas, numa avaliação que, verdade seja dita, não visa «grelhar» (isso era demasiadamente saudável!), mas sim fritar a classe docente, num processo que a mim me parece uma valente caldeirada!
Quem sofre com isto são os alunos, claro, pois pouco sobra para eles em termos de energia mental e física. Mas isso interessa alguma coisa? Nada!
Há que preencher muito papel, muita grelha, fazer muitos raios X, repetir até à agonia as mesmas coisas, só que em impressos diferentes,...para se chegar à conclusão de que ninguém se entende!
Enfim, vou confiar na máxima do meu avô de que «entre mortos e vivos, alguém há-de escapar»!
Contudo, cada vez gosto mais da ideia do divórcio sem culpa! É que, se houvesse hipótese, até me divorciava deste meu amor tão decadente, pois, brevemente, e a continuarmos assim , temo que do amor ao ódio vá penas um passo.
Página da escola que envia mails ?
Ficar acordada até altas horas da noite só para receber as mais recentes informações ?
Acho que já fritou alguma coisa mesmo ...
Só para dizer a esse anónimo que se lhe pode parecer incrível não torna menos verdadeiro o que se disse.
quer um exemplo incrível? Na minha escola com uma professora desmaiada à porta à espera do INEM, a reunião de Conselho Pedagógico continuava dentro de portas, porque era preciso aprovar a todo o custo as grelhas de avaliação... Estes Pedagógicos vários por mês nunca acabaram antes das 10 da noite...
E muito muito mais haveria a dizer. Os professores estão a ser vítimas de muita incompetência e desconhecimento quer de quem os governa quer de alguma opinião pública manipulada por quem nunca deu uma aula na vida e quer que os recursos deste país vão para os seus negócios, normalmente oportunistas e "geradores de riqueza"... mas só para alguns...
e já agora para si também sou anónimo
Enfim
Relativamente ao primeiro anónimo (a impressão que me fazem os anonimatos,... mas isso é uma coisa minha...), gostava de lhe perguntar se, quando indiquei que os professores da minha escola recebem e-mails a altas horas da noite, viu lá qualquer referência ao facto de eu ficar acordada à espera de os receber. Não viu, pois não? É que, caro anónimo, tenho mais que fazer!
O que não invalida que, no dia seguinte, quando finalmente tenho pachorra para abrir o correio electrónico (até porque, felizmente, há quem mande coisas bem mais interessantes para o meu mail, nomeadamente os meus alunos, e que merecem a minha atenção diária)é fácil descobrir a que horas é que as "notícias" chegaram.
Por isso, amigo anónimo, antes de fazer juízos precipitados, examine a sua própria fritura e aprenda a ler nas entrelinhas. :-)
O anónimo disse bem, as páginas das escolas não mandam mails!!!!
Mais, a história da colega Isabel Fidalgo, para além de fazer chorar as pedras da calçada, enerva-me.
Já estou farto de mártires!
Alguém a obriga a trabalhar 40 ou mais horas por semana na escola e, depois, ir trabalhar mais um tanto para casa?
Será que os profs. não sabem dizer NÃO?
Já repararam que os actuais carrascos dos profs., são os próprios?
Sejamos adultos!
Cumpramos o que a lei diz. Se a cumprirmos à letra, o sistema vai cair como um baralho de cartas.
Vai ser um subprime na educação!
O problema da classe é, no meu entender, o facto da grande maioria ter passado, directamente de aluno para professor, sem passar pela vida real.
Assim, como quase todos foram alunos mto certinhos, continuam, agora professores, a acatar tudo o que os "superiores" lhes impingem.
Cresçam e apareçam!
Tenho andado muito calada e observadora no que diz respeito à avaliação docente. Apesar de tudo, não é esta avaliação o que mais me tem preocupado. O objectivo está cumprido pelos governantes: reduzir para 5% a percentagem de docentes que chega ao topo de carreira. Quer se queira quer não, foram espertos. Agora é só fazer-nos trabalhar como formiguinhas no carreiro, para ver se somos dos cinco felizes contemplados entre cem, e assim cumprir o restante objectivo: reduzir a 0 o insucesso. Esquecem-se os nossos governantes que ter 100% de aprovação em Portugal, numa qualquer prova inventada para o efeito, ou no final de um qualquer ano lectivo ou preencher a mais diversa panóplia de papeladas, jamais fará criar grandes leitores, grandes matemáticos, físicos, historiadores ou economistas e, muito menos, grandes Homens. Mas quem não o é, também não pode sabê-lo. Portanto, continuarei a observar e serei o que sempre fui: PROFESSORA devota aos meus alunos e ao princípio de que estou em constante aprendizagem com eles e para eles, formando, conversando, ensinando e entusiasmando pela vida, pelo bem estar, pelo amor e pelo respeito ao próximo e, nem que me arranquem a alma, uma avaliação que me traria o dinheiro, que tanto me faz falta - tenho três filhos e nenhum subsídio para computadores - dizia, nem que me arranquem a alma, me vou deixar levar por uma avaliação que em nada avalia a minha competência como docente durante vinte anos. Perdoem, mas os meus 100 alunos têm que continuar a ser o mais importante!
Foi por esses motivos e por outros, que eu, ao fim de 38 anos de serviço, tendo exercido todos os cargos possíveis numa escola,pedi a reforma e estou descansadinho. Embora só tenha 59 anos de idade estou feliz mas muito preocupado com os meus excolegas.
O que o Sr. Luís Braga disse é bem verdade. Ninguém é obrigada a trabalhar mais do que aquilo que lhe compete... o problema é que há muitos colegas que querem o "tal Excelente"... nós só temos de trabalhar ao som da "música" querem que os alunos passem, ficam todos contentes (ministra, papás, etc...)??? Nós passamo-los! Querem a papelada preenchida??? Nós preenchemos... um "copypast" dá sempre jeito...eh..eh..
E com calma vamos dando as nossas aulas e ensinando aqueles alunos realmente interessados, com pais igualmente interessados. É para eles que eu trabalho e não para uns loucos governantes que por estarem onde estão pensam que sabem tudo!!!
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