A SPEF e a avaliação de desempenho dos professores de Educação Física
1. A SPEF produziu um extenso documento sobre a avaliação de desempenho dos professores de Educação Física.
2.Saúdo a emissão de um parecer sobre a avaliação de desempenho. Lamento que o parecer não rejeite o decreto regulamentar 2/2008. Há uma aceitação tácita do modelo burocrático de avaliação. É pena.
2.Saúdo a emissão de um parecer sobre a avaliação de desempenho. Lamento que o parecer não rejeite o decreto regulamentar 2/2008. Há uma aceitação tácita do modelo burocrático de avaliação. É pena.
3.Li o texto e não consegui perceber se a SPEF é a favor ou contra o decreto regulamentar 2/2008. O documento bate na tecla da necessidade de aperfeiçoar o modelo de avaliação de desempenho e tece elogios às recomendações emitidas pelo CCAD. Seria de esperar de um organização científica e pedagógica de professores uma posição pública de rejeição do decreto regulamentar 2/2008 que tanto mal está a fazer às escolas e à vida dos professores. Infelizmente, não encontrei uma posição de rejeição do decreto regulamentar 2/2008. O que encontrei foi apenas um registo das dificuldades sentidas nas escolas e algumas sugestões para a superação das dificuldades de aplicação do modelo burocrático de avaliação de desempenho.A ausência de rejeição é mais uma elemento para os professores reflectirem sobre o papel, o alcance e os limites das suas organizações pedagógicas.
4. O silêncio de algumas organizações pedagógicas sobre a hecatombe que se abateu sobre os professores na sequência da publicação do decreto 15/2007 e do decreto regulamentar 2/2008 leva-me a concluir que a importância que têm para a vida profissional dos professores é cada vez menos relevante.
5.As associações pedagógicas e profissionais dos docentes esquecem que há um antes MLR e um depois MLR. O depois MLR enterrou o profissionalismo docente e criou um novo paradigma de escola e de professor: a escola pública como agência de prestação de cuidados sociais ao serviço do capitalismo selvagem e do globalismo neoliberal e o professor faz-tudo. Ora o professor faz-tudo é cada vez menos um profissional e, por isso, as associações profissionais estão a tornar-se cada vez menos relevantes. E a prova disso é o crescente número de professores que abandona as associações profissionais e pedagógicas, votando com os pés: deixando de pagar quotas. Votar com os pés é o efeito do empobrecimento dos professores mas também da desilusão face a associações que pouco têm feito para os proteger da hecatombe legislativa que caiu sobre eles com a leveza de um bloco de cimento.
4. O silêncio de algumas organizações pedagógicas sobre a hecatombe que se abateu sobre os professores na sequência da publicação do decreto 15/2007 e do decreto regulamentar 2/2008 leva-me a concluir que a importância que têm para a vida profissional dos professores é cada vez menos relevante.
5.As associações pedagógicas e profissionais dos docentes esquecem que há um antes MLR e um depois MLR. O depois MLR enterrou o profissionalismo docente e criou um novo paradigma de escola e de professor: a escola pública como agência de prestação de cuidados sociais ao serviço do capitalismo selvagem e do globalismo neoliberal e o professor faz-tudo. Ora o professor faz-tudo é cada vez menos um profissional e, por isso, as associações profissionais estão a tornar-se cada vez menos relevantes. E a prova disso é o crescente número de professores que abandona as associações profissionais e pedagógicas, votando com os pés: deixando de pagar quotas. Votar com os pés é o efeito do empobrecimento dos professores mas também da desilusão face a associações que pouco têm feito para os proteger da hecatombe legislativa que caiu sobre eles com a leveza de um bloco de cimento.
Para quem está na área da Educação Física, a posição da SPEF não é uma novidade a de não tomar nenhuma posição e não decidir nada. Apesar de se tratar de uma disciplinas nuclear e transversal a todos os anos de escolaridade, a SPEF não diz nada, quando a Educação Físico Motora praticamente desaparece da prática no 1º ciclo; já diz que quer fazer parte da creditação dos manuais escolares, mas não diz nada quando o ME praticamente os extingue, deixando alunos e professores sem orientações e quaisquer textos de apoio, numa disciplina que conta (pelo menos, por enquanto) para a média de ingresso dos alunos no Ensino Superior. E o tempo útil das aulas de Educação Física em todos os ciclos, que são substituídas por aulas de outras disciplinas? Falem muito de exercício e saúde e depois, face ao exposto e muitas outras incongruências, admirem-se do aumento dos níveis de obesidade. Enfim, também nesta área é o Ensino que temos de uma Ministra culta que, como podemos constatar ontem em Guimarães, quando se refere a esta área como "a ginástica"...
Subscrevo o comentário anterior.
Esta posição evasiva da SPEF, reforçada por teorias bacocas, próprias de quem quer fugir à realidade, vem ao encontro do estado lastimoso e desacreditado em que a E.F. e o Desporto Escolar chegaram neste país.
As taxas de sucesso na disciplina roçam os 100%, com jovens cada vez mais obesos, mais inábeis e menos coordenados.
O Desporto Escolar é a anedota que se conhece, dependendo de carolice, sem apoios, com quadros competitivos fracos e sem resultados práticos a nível da evolução do desporto no país. Basta olhar para o país vizinho para ver as diferenças.
O mais triste nesta situação é ver como se exige medalhas a atletas que se formaram nesta desgraça. O que eles conseguem já é um milagre nas condições em que trabalham... mas lembram-se que logo alguém se lembrou de sacudir a água do capote dizendo que ganhavam 200 contos por mês? É preciso lata! Esta política de rabo sentado, que se limita a más orientações seguidas de exposição de bodes expiatórios, faz lembrar a conversa de que a culpa do ensino estar mal é dos professores porque ganham muito e não fazem nada.
No comentário anterior, no 1º parágrafo, onde se lê "em...que chegaram" deve ler-se "a...que chegaram".
Foi da pressa...
Obrigado Miguel e Ic! Concordo a 100% convosco. Mas é preciso denunciar a cobardia e a passividade de algumas associações pedagógicas. Têm medo de quê? Ou estão tão afastadas das escolas que cortaram de todo com a realidade e vivem num mundo de ficção?
Para que não me saia nenhum palavrão, só digo:
de costume, por costume
... aos costumes disse nada!
Abyssus abyssum invocat
Ramiro, acabei de ler o documento e como professor de EF e sócio da SPEF só posso concordar com a leitura que o Ramiro faz deste parecer. Sobre o que dizem as associações em geral e as da EF em particular, por várias vezes isto tem acontecido. Muitas vezes nem sequer parecer existe sobre coisas importantíssimas.
Li o parecer da SPEF e parece-me uma posição sensata e equilibrada. A posição da SPEF é , o modelo precisa muito de melhorias porque está a provocar mal estar e efeitos nefastos nas escolas e não se adequa aos objectivos inicialmente propostos. Quanto aos pareceres que a SPEF emite e que faz chegar a quem deve (Ministério da Educação, Direcções Gerais) eles estão publicados na página da SPEF, para quem os quiser ler. Agradeço que me indiquem que outras associações profissionais (sem ser sindicatos)emitiram pareceres a respeito da avaliação de desempenho.
Mas temos que distinguir entre tomar posição e decidir. A SPEF não manda na EF, nem na avaliação dos professores.
Sou da área e lamento este parecer. Vem tarde e a más horas e decepciona. Afinal os encontros foram em Julho, não é verdade? Apesar de tudo a SPEF vai procurando sobreviver, ao contrário de muitas outras associações que estão bem mortas e enterradas. O principal problema? Tal como o Ramiro aponta, questionando, trata-se de facto de um afastamento da realidade de muitos dirigentes e afins (alguém disse "como nos sindicatos"?). E aqueles que dão aulas (não digo todos) têm um discurso de professor e em paralelo um discurso de dirigente, ou, digamos... mais académico.
O próximo Congresso (2009 ???), vem dar alguma resposta a este problema? Claro que não. A SPEF ainda não se encontrou, desde a balbúrdia provocada pelo aumento exponencial de oferta de "formação" na área da EF há alguns anos atrás. Não soube ou não foi capaz de trabalhar eficazmente este problema. Agora a avaliação só veio atrapalhar. A SPFF deveria começar por dizer, por exemplo, que este modelo é uma fraude - não apenas em relação à EF - porque admite (entre outros princípios), uma avaliação por professores especialistas de uma área científica diferente, o que contraria tudo o que esta mesma ciência nos ensina, ou seja: Ao observarmos, avaliarmos ou classificarmos alguém, supostamente e apenas nos domínios "pedagógicos", da preparação, realização ou avaliação do ensino, descontextualizados dos saberes, conteúdos, métodos e estratégias especificos da área disciplinar, estamos a alimentar o dito "eduquês" de que tanto falamos e tanto toleramos. É por essas e por outras que ESTA AVALIAÇÃO NÃO PRESTA, É UMA FRAUDE e há-de rebentar.
Agora virão certamente alguns colegas dizer: "Então porque não vens até cá dar o teu contributo"? "Isto não é só da boca p'ra fora"! Pois não. Desculpem lá mas já não tenho pachorra. Por agora bastam-me as horas intermináveis de trabalho de escola, ou agrupamento ou lá o que é que andamos a fazer pelos "estabelecimentos" de ensino, cada vez mais parecidos com outros estabelecimentos (estou a pensar na feira do relógio, por exemplo). Não houve associações sindicais, profissionais, outros ais e outras que tais, que tivessem conseguido colocar, um graõzinho que fosse, da nossa dignidade, a brilhar no meio da escuridão em que este país vai mergulhando, parece que alegremente (não, esta não é dirigida ao Manuel Alegre, antes pelo contrário).
Abraço.
motta
Obrigado colega Motta. EStou de acordo consigo. Obrigado Henrique também. Ao anónimo das 17:36, também os meus agradecimentos por colaborar na discussão. É e louvar que a SPEF tenha elaborado um documento sobre a avaliação de desempenho mas lamento que não tenha dito, preto no branco, que o modelo não presta e está a destruir a profissão docente.
O documento da SPEF é importante...por ser único.
Na substância,preconiza condições razoáveis e tecnicamente aceitáveis de operacionalização do modelo mas não faz uma análise política e pedagógica do mesmo.
È verdade que mais nenhuma Ass Profissional ousou pronunciar-se sobre ele, mesmo que fosse para dizer apenas... talvez.
Compreendo esta posição da SPEF , em termos estratégicos, mas estou completamente contra o facto de não se pronunciar sobre o modelo.
António
Não queria dizer mais do que já tinha dito… mas na sequência dos comentários já feitos, não me contive.
Não considero o doc da SPEF importante, nem muito menos a expressão do quer a classe em geral, quer os professores de EF sentem relativamente a este processo.. Ás vezes é preferível pecar por omissão do que produzir opiniões que em nada nos dignificam!
A SPEF enuncia o que considera situações de mal-estar nas escolas. Mas, por incrível que pareça, em todas elas, aponta os professores como não tem percepcionado nem integrado o modelo de avaliação proposto, “desvalorizando” (palavra muito em voga”) todo o sentimento de falta de respeito: pelos seus conteúdos funcionais; pelo funcionamento da escola enquanto agente de ensino e não de produção de burocracias; pela falta de democraticidade de todos os procedimentos.
Não equaciona um dos principais problemas, referidos pelo motta, o repescar do 200/2007 e toda a “promiscuidade” que daí resulta, nem a diminuição das condições de trabalho daí resultantes.
Aponta como orientação primeira: a necessidade de conceptualização do processo. Aponta por isso o trabalho colegial para que possamos limar as arestas conseguindo transformar o modelo numa virtude. Sugere que tenhamos em conta os referenciais – mas não são os estipulados pela legislação? Sugere que os instrumentos de registo sejam adequados à disciplina. Escolas houve que os fizeram (grelhas de observação de aulas), outras devido à pressa aprovaram uma grelha geral para a escola. Eu, por ex, tenho uma geral aprovada p+ara a escola, mas estou a tentar que isso seja reformulado havendo grelhas específicas para os grupos que assim o entenderem, nomeadamente os que compõem o departamento de expressões que são todos tão diferentes entre si e tão diferentes dos outros no modo de processar uma aula.
Sugere, ainda, o trabalho a pares numa perspectiva de avaliação formativa. Isso é o que todos nós defendemos. Mas isto não pode ser integrado neste modelo de avaliação, já que se trata pura e simplesmente dum modelo classificativo com uma determinada finalidade.
Por fim, guarda para o próximo congresso o tratamento do problema!
Pelo comunicado que emite, a SPEF aceita este modelo desde que sejam limadas algumas arestas, o que não me espanta, já que um dos seus vice-presidentes é um dos elementos do CCAP!
Mas mais do que a SPEF não ter dito nada de novo, até porque a sua função não é exactamente esta, preocupa-me o silêncio do CNAPEF (consultei o site e nada!). E deste é que eu há mais de um ano espero alguma coisa.
Tal como o motta, também não estive lá. Não pelas mesmas razões.
Completamente de acordo com a colega Maria Lisboa mas um pouco mais radical em relação à operacionalização proposta: seguidista, demasiado teorico-conceptual,pouco exequível e demasiado alheada dos problemas concretos das escolas e da disciplina.
É bom que a SPEF tenha feito alguma coisa para que as pessoas falem sobre ela e se posicionem em relação ao trabalho da sua direcção. Espero sinceramente que isso contribua de modo decisivo para um incremento da tão desejada participação activa e empenhada de todos na vida associativa e na discussão dos problemas que afectam o nosso desempenho profissional, nas ecolas, clubes, ginásios euniversidades. Não me cabe julgar os julgamentos que aqui são feitos. Creio verdadeiramente que, apesar de não estar de acordo com a maioria, podem trazer novas ideias ao debate. Mas não me parece justa uma apreciação tão desabrida e desconhecedora do trabalho da organização. Percebo que a informação muitas vezes não está na posse das pessoas, por isso convido à consulta do site da SPEF e à participação crítica a todos aí somos convidados.
A SPEF não está afastada da realidade, sobretudo no que ao assunto da avaliação de desempenho diz respeito. A SPEF quis posicionar-se escutando não apenas a direcção, mas um conjunto de colegas que até então a haviam interpelado directamente sobre o assunto. A SPEF emitiu um parecer substantivo que reflectiu a apreciação que esses colegas realizaram sobre o que estava a passar nas suas escolas, os principais problemas que detectavam e a forma como pensavam puderem ser ultrapassados. São os testemunhos de alguns de nós que aí estão sintetizados. Ainda bem que suscitam outros. Desejamos que assumam também a substância equivalente para que os possamos integrar no debate. Isso só é possível se evitarmos meros juízos apreciativos. Também precisamos de saber com quem discutimos afinal e evitar o anonimato.
Sobre outros comentários... A SPEF tem dito e feito muita coisa sobre o 1º ciclo.... A SPEF comentou e pediu explicações sobre os manuais escolares... A SPEF tem que ser muito melhor conhecida e ser melhor tratada como uma organização que, não sendo dona da Educação Física, tem uma idade de 25 anos que reflecte os que os profissionais fizeram, fazem e desejam vir a fazer na Educação Física.
Marcos Onofre
Marcos Onofre, Maria Lisboa e António! Obrigado pelos comentários.
Saúdo a SPEF pela emissão do parecer. Lamento que não tenha rejeitado o decreto regulamentar 2/2008.