Pomar adiado. Um poema do Luís Costa

POMAR ADIADO
O horizonte aqui é melancolia!
Há nevoeiro denso no meu pomar,
Onde recresce uma triste letargia,
Uma lenta e dolorosa agonia
Que me consome a magia de brotar!

Vieram ao meu pomar tolher as flores,
As flores dos meus frutos que já não são!
Sufocaram-me as relíquias maiores,
Pétalas de veludo multicolores,
Minha alegria de brolhar em botão!

E o que és agora, meu pomar violado?
O que ficou do teu capital segredo?
Um dia-a-dia seco e arrastado,
Amanhã de amanhã sempre adiado,
Um sempiterno refém do meu degredo!

Luís Costa

6 Response to "Pomar adiado. Um poema do Luís Costa"

  1. Anónimo says:

    A situação é grave, independentemente do seu desfecho. Mas é preciso não ter medo. Não tenho medo porque me doi ver a escola pública a ser afundada de forma intencional; não tenho medo por ver que a actual organização escolar é uma resposta imediatista aos interesses dos pais na guarda dos seus filhos, sem a mínima preocupação com qualquer aprendizagem significativa, e que os nosso filhos vão pagar com língua de palmo; não tenho medo porque dei o corpo ao manifesto durante trinta anos ao serviço da escola pública, com uma licenciatura de 5 anos numa universidade portuguesa, um mestrado na mesma universidade (sem molho bolonhês), um estágio clássico, o exercício de todos os cargos possíveis e imaginários na escola, participação em projectos do ME, formação inicial de professores durante vários anos, alguns trabalhos publicados e hoje tudo isso é lixo; não tenho medo porque sou titular (seja lá isso o que for) coordenador de departamento, participante em todos os trabalhos de planificação, organização e tudo o resto hoje sinto-me esfregona para todo o serviço; não tenho medo porque nunca trabalhei em gabinetes ministeriais ou outros. Estive sempre na escola nestes trinta anos. Não aprendi a ter medo nem a subserviência dos recantos do poder; não tenho medo porque sei que mesmo achincalhados, os professores são das classes mais dignas e qualificadas deste pobre país e saberão "dar a volta"; não tenho medo, porque o ME sabe que hoje me obriga a trabalhar muito para além do meu horário legal de trabalho e estou farto; não tenho medo porque não quero ter medo e nenhum cretino, por mais poderoso que seja, pode roubar a liberdade de não ter medo.
    motta

    Anónimo says:

    O meu comentário é relativo ao post da notícia do público. Quanto ao poema do Luis Costa, como sempre, magnífico. E já agora parabéns. Pensando bem, o comentário também se encaixa...
    motta

    profavaliação says:

    Obrigado, Motta!

    profavaliação says:

    Mais um excelente poema do Luís Costa. O que acham?

    bárbara says:

    O Luís e os seus poemas são sempre bem-vindos aqui. É um prazer lê-lo.

    Helena says:

    Lindo e oportuno o poema do Luís1