Acorramos, amigos, que matam os mestres sem porquê! Um poema de Isabel Fidalgo

É tempo de dizer basta! 
É tempo de dizer chega!
Corte-se o arame à mordaça
Corra a voz e encha a praça
Antes que a noite aniquile
Sem piedade e sem dó
A alegria que a traça 
Espalhou como carraça
Na alma desfeita em pó.

É tempo de ver raiar
Já basta de noite tanta!
Raie o sol que nos espanta
Solte-se a voz na garganta
Que a hora chama por nós.

Venha D. Sebastião
Sem bruma e sem nevoeiro
Venham Camões e Pessoa
Acorramos a Lisboa
Na voz do Tejo em canoa
Que o Tejo chama por nós.

"Vamos todos de mãos dadas"
Com as lembranças da cidade
Que foi Templo e que foi rosto
De arrojo e intrepidez.
Vamos todos outra vez.

Vamos cumprir Portugal
Cumprir Camões e Pessoa
Acorramos a Lisboa
Que o Tejo Chama por nós.
Digamos com força tanta
Sem mordaça na garganta
Que chega de humilhação
Queremos EDUCAÇÃO!

Professores deste país
Vamos cumprir a raiz!
Vamos cumprir nosso Tejo
Na rua ou na nossa praça
Com a força de Lisboa
E a voz de uma canoa.


Professores deste país
A memória reclama
Acendei dos avós a chama
Que a Índia chama por nós.

Maria Isabel Fidalgo

18 Response to "Acorramos, amigos, que matam os mestres sem porquê! Um poema de Isabel Fidalgo"

  1. Moriae says:

    é realmente muito bonito ... Mesmo sem ser de Lisboa nem nacionalista (nem pretender conotar esta poesia com o que for! É expressão artística, bela), toca-me.

    É verdade o que diz a autora. O seu apelo. Pena que tenha acordado aflita e em sofrimento para escrever. Não há obra que justifique tanto sofrimento humano.

    Bem-haja para a Maria Isabel Fidalgo e todos os resistentes corajosos.

    abraço, Ramiro

    ramiro says:

    Obrigado, Moriae!
    Não é nacionalista. É um hino aos professores e à sua resistência num período da história de Portugal em que foram tratados abaixo de cão.
    Abraço e força.

    sala de estudo says:

    Camões e Pessoa ficarão orgulhosos.
    Lecciona Português, colega? Onde?
    Muitos parabéns.Melhor era impossível.

    Safira says:

    Que belo poema. Que belo chamamento, um momento de tristeza que passa na educação. Havemos de cumprir Pessoa, havemos de cumprir Camões, havemos de cumprir Portugal!

    Parabéns colega!

    Abraço solidário,

    Safira

    m.marques says:

    Vamos fazer um dia da raça à nossa maneira, honrando Camões e Pessoa como eles merecem.É tempo de dizer BASTA!

    Moriae says:

    Lá está ... dia da raça? Então eu sou rafeiro!

    m.marques says:

    moriae,

    Penso que me entendeu mal.Quando digo dia da raça, pretendo atingir os senhores governantes que no dia de Camões lhe fazem grandes homenagens e depois tratam a pontapé os que defendem uma escola que ensine cidadãos cultos que possam orgulhar-se da sua cultura.
    Sou da área das ciências,mas aida não esqueci o que aprendi sobre "Os Lusíadas".

    Moriae says:

    m.marques,

    aceite as minhas desculpas... e obrigada pela atenção.

    Solidariedade então :)
    M.

    Anónimo says:

    Brilhante, Isabel. Parabéns.
    "... Quem sabe faz a hora
    não espera acontecer"
    Lopes Graça
    É hora.
    motta

    maosilva says:

    Belo poema! Grande mensagem! É tempo de animar as hostes, reforçar a solidariedade, acender a luta e caminhar para a vitória!
    Parabéns Maria Isabel Fidalgo! Um abraço para tod@s.

    bárbara says:

    Parabéns, Maria Isabel!

    Gracinda says:

    5.50 da manhã! Um grito na madrugada para crescer o dia inteiro e a mensagem se enraizar em cada um de nós unindo-nos com determinação e voltando a acreditar que ainda a batalha pode ser ganha.Acorramos todos com energia e passemos do grito à accção.
    Forte,forte, fortíssimo o alerta e o chamamento.
    Cinda

    professora says:

    Foi com estas palavras: " Amigos, acorramos que matam o Mestre nos paços da Rainha!" que há muitos anos, Alvaro Paes, galopando pelas ruas de Lisboa, gritava ao Povo para que acorressem ao Paço e defendessem o Mestre de morte certa. Agora é a Isabel que lança o seu grito e novamente, pelas ruas de Lisboa urge acorrer a outro paço, dominado por outra rainha, em defesa dos mestres de hoje que correm um perigo ainda maior! Aprendamos com a História! Acorramos, amigos, e que a multidão volte a encher as ruas e, tal como há séculos, mostremos a nossa força.

    M.João says:

    Acorramos, depressa! Há dois grandes feriados antes do final do ano.Se os sindicatos não quiserem alinhar,há muitos meios de transporte.É preciso união e resistência nas escolas.

    Anónimo says:

    Parabéns à Isabel pelo magnífico poema.

    Anónimo says:

    A minha satisfação é enorme ao ler mais um apelo à unidade dos professores, pois verifico que, imitando o colega Luís Costa, também a profesora Isabel Fidalgo, mostra a sua revolta e o seu desejo de, novamente, nos ver envolvidos no caminho da mudança! Obrigada ao primeiro pela sua coragem que nos faz acreditar que podemos alterar o estado das coisas e à segunda, por lhe dar eco!
    Ana Lia Braga

    M.isabel fidalgo says:

    Ana Lia Braga,

    Curiosamente,o Luís Costa foi meu estagiário, há vinte anos atrás.Pertence a uma geração de estagiários de escol.Foi a nota mais alta que atribuí ao longo de quinze anos de orientação e de dedicação, sem que esses anos me tivessem valido para atingir o pomposo nome de professora titular.O que me valeu foi o meu apelido.Vá lá...

    M.isabel fidalgo says:

    Ana Lia Braga,

    Curiosamente,o Luís Costa foi meu estagiário, há vinte anos atrás.Pertence a uma geração de estagiários de escol.Foi a nota mais alta que atribuí ao longo de quinze anos de orientação e de dedicação, sem que esses anos me tivessem valido para atingir o pomposo nome de professora titular.O que me valeu foi o meu apelido.Vá lá...