Mais um coelho da cartola: agora é o e-escolinha e dá pelo nome de Magalhães
O programa e-escola vai ser alargado aos alunos do 1.º ciclo, com a designação de e-escolinha, permitindo o acesso, já no próximo ano lectivo, a 500 mil computadores portáteis vocacionados para crianças dos 6 aos 11 anos.
O Governo assinou um protocolo com a Intel, que, juntamente com a empresa portuguesa JP Sá Couto, assegurará a produção de um portátil de última geração - o Magalhães -, especialmente pensado para crianças, altamente resistente ao choque e à água.
Este equipamento será gratuito para os alunos abrangidos pelo 1.º escalão da Acção Social Escolar, terá o custo de 20 euros para os inscritos no escalão B e de 50 euros para as famílias que não beneficiem de qualquer apoio.
O nome do computador portátil, agora apresentado, é uma referência ao navegador português Fernão de Magalhães, que realizou a primeira viagem de circum-navegação ao Mundo.
O Governo assinou um protocolo com a Intel, que, juntamente com a empresa portuguesa JP Sá Couto, assegurará a produção de um portátil de última geração - o Magalhães -, especialmente pensado para crianças, altamente resistente ao choque e à água.
Este equipamento será gratuito para os alunos abrangidos pelo 1.º escalão da Acção Social Escolar, terá o custo de 20 euros para os inscritos no escalão B e de 50 euros para as famílias que não beneficiem de qualquer apoio.
O nome do computador portátil, agora apresentado, é uma referência ao navegador português Fernão de Magalhães, que realizou a primeira viagem de circum-navegação ao Mundo.
É, nestes termos, como se estivesse a dar a notícia de que um português descobriu uma vacina para combater o HIV/SIDA, que a Página Web do ME dá a notícia da construção do portátil Magalhães e da distribuição de mais 500 mil computadores pelas criançada. Afinal o computador portátil Magalhães não é o único nem o primeiro portátil para crianças. A Índia e a Tailândia já fabricam portáteis com as características do Magalhães. Está por provar ainda que o Magalhães vai ser bem aceite nos mercados estrangeiros. Por agora, a única coisa certa é que o Governo vai comprar à empresa que os fabrica 500 mil portáteis para oferecer ou vender a preços baixos às crianças dos 6 aos 11 anos de idade. Falta ainda saber como é que o Governo vai resolver o acesso à banda larga. Será que o portátil Magalhães, à semelhança dos computadores adquiridos através do e-escolas, vem agarrado a um contrato de ADSL com a duração de 3 anos? E quem vai pagar esse contrato? Convinha que o Governo esclarecesse estas dúvidas. É caso para dizermos: o Major ofereceu frigoríficos. O Sócrates oferece computadores portáteis. O que eles fazem para ganhar eleições!
Muitas crianças abrangidas pelos escalões A e B da Acção Social Escolar, vivem em aldeias remotas onde não há acesso à banda larga.
Já antes, alunos do 10º Ano que adquiriram portáteis através do programa e -escola, ficaram privados de acesso à Net, nas suas casas, por falta de rede. Aconteceu com alunos meus na zona centro do país.
Isabel
Isabel, bom regresso de férias! Ou será que ainda não foi?
Obrigado por esse esclarecimento. Em alguns casos, é um desperdício oferecer computadores. Há pessoas que não têm condições para se ligarem à internet. Programas massificados são sempre uma incógnita e provocam muitos desperdícios.
De facto vale tudo. Sou já "dependente" do computador da Internet e essas coisas todas... mas assim parece-me de mais. E só me lembro de uma conversa que tive há dias com uns colegas de ofício. Mais portáteis? Banda Larga? Quadros Interactivos? Vídeo-Projector? Se não se suporta o frio e o calor numa espécie de escola abarracada? Fantástico! E onde colocá-los se chove nas salas? Se os estores estão partidos e fixos com pregos? Se os quadros eléctricos não aguentam e a água escorre pelas paredes? Se nas salas não há espaço nem para mais uma mesa? Se os pátios são charcos e pó? Se quase não se consegue escrever nos quadros? Se as mesas e cadeiras foram pensadas para alunos de 5.º ano e eles já andam no 9.º? Se... se... se... Mas acredito que a maioria dos EEs nem note, mas rejubilará com tanta tecnologia em escolas fisicamente podres.
paola,
No seguimento do que disse. Há 2 anos, a escola central de Tavira-cidade, com uma frequência superior a 300 alunos, todos os alunos se sentavam naquelas cadeiras de pau pesado e tinham aquelas mesas de pau aos triângulos, com ferro preto grosso. De dois tamanhos: o primeiro tamanho nem para crianças do pré-escolar servia, em termos do tamanho; o outro tamanho não chegava para metade dos rabos dos miúdos. Os armários? Bem. De pau velhíssimos; os quadros daqueles que não se distingue se é uma letra se é um risco!!!!(para alunos em aprendizagem da leitura e escrita é muito bom!!!). Nem imaginem as cadeiras dos professores!!! Na primeira em que tentei sentar-me, cai.
Mas o presidente da Cãmara foi dos primeiros a querer ter a "experiência-piloto" de "gerir" os professores. Tem piada.
Entretanto a recuperação de uma escola foi de tal forma bem realizada que a sala "polivalente" faz um eco insuportável.
Maria
Só que não ganharão, Ramiro.
Era só o que mais faltava.
Pois é, Maria. É assim o parque escolar deste país. A minha escola, aqui mesmo nas barbas da capital, está como eu disse... Mas o Sr. Sócrates preocupa-se mais com o choque tecnológico. Depois, que venham as autarquias resolver o resto! Na maioria dos casos, nem das escolas do 1.º ciclo souberam cuidar...Por mais importantes que sejam os computadores, e são, não vão resolver um mal tão profundo. Nem acredito que as nossas crianças aprendam mais com eles. E muitos profs também terão que aprender e os pais e a escola... enfim mais do mesmo! Os grandes problemas continuam à espera de melhores dias... e lá virão pela certa mais uns papelitos para preencher!
Ramiro,
Muitos muitos muitos alunos das nossas escolas NÃO TÊM QUE COMER!!!! Muitos. Somos nós (professores) que nos mexemos para eles terem o mínimo, para sobreviverem. De higiene nem falar. Este último ano lectivo, havia banhoca na escola 2/3 onde trabalhava nos balneários do pavilhão gimnodesportivo da escola!!!! Um professor e uma professora levavam vários alunos da escola "para o banho" várias vezes por semana (2/3).
Que os auxiliares educativos não estão para isso (efeitos da municipalização e da política do sinistério). Imagine os odores.
Nas classes sociais com mais dinheiro e posses os problemas dos jovens são gravíssimos também. Alunos por sua conta e risco, é muito normal.
A distinção entre ter muito dinheiro ou nenhum, já fez a diferença. Agora não.
Esqueci-me de colocar o meu nome "Ana", no comentário anterior.
Primeiro dever-se-ia ensinar a escrever de lápis e borracha, só depois no teclado. Não estou bem a ver exercicios ortográficos com correcção automática. Ainda vou chamando a atenção para uma postura correcta, o excesso de horas a olhar para um monitor e o facto de neste verão, em tempo record e com a vantagem do blended-learning, os colegas do 1ºCEB irem a correr tirar uma formação, tendo em conta também a avaliação de desempenho, em sistema operativo Linux.Não pretendo repetir comentários mas também já dei aulas, ou tentei, a alunos com fome.
Concordo com o comentário do Nuno Correia, foi esse também o meu comentário.
O pavilhão gimnodesportivo da minha escola (Eb 2,3)tem umas condições acústicas que depois de meia hora de aula o que resulta é uma valente dor de cabeça.
Assim se faz Portugal.....
Fátima
Pavilhão gimnodesportivo?? Isso é o quê? A minha escola não tem! Claro que brinco com esta história toda! Tanto que eu gostava de ouvir e ver o senhor ministro anunciar a demolição das escolas que não têm condições e colocar escolas novas no mesmo sítio!! Depois, bem depois podia equipá-las com computadores e outras tecnologias... Mas não, parece que está a começar pelo telhado!!
Como alguém já disse aqui, ou num outro sítio qualquer, esta obsessão com o plano tecnológico faz lembrar aqueles que moram numa barraca, mas têm uma parabólica e um Ferrari à porta.
Triste país o nosso, onde se deixam morrer crianças porque não há dinheiro para certos tratamentos que não se fazem em Portugal (alguns conseguem ir ao estrangeiro à custa de peditórios nacionais), mas há dinheiro para dar um portátil a cada criança!!!!
Isto é de loucos, de país sub-desenvolvido. Não é por acaso que as primeiras encomendas do S.Magalhães são da Líbia e da Venezuela!!!
Francisca
Com estes depoimentos se desolculta a triste realidade que os modernaços querem esconder desperdiçando o dinheiro com manobras eleitoralistas que incluem a oferta de computadores...imagine-se a crianças de 6 anos, algumas sem condições de acederem à Internet. E acederem à Internet para quê? Aos 6 anos de idade? Lamentavelmente, a propaganda em torno do plano tecnológico da educação faz-nos parecer um país da América Latina. A imagem do pobre que vive numa barraca com antena parabólica aplica-se que nem uma luva.
Pofessor Ramiro
Vou domingo para férias (mas com net). Sempre que possível hei-de vir ler os posts dos seus blogs.
Isabel
A mim não me preocupa a entrega dos computadores, preocupa-me é o uso que vamos fazer deles na Escola.
Boas férias, Isabel. Eu sei que são bem merecidas. Vou ficar por casa a descansar e a escrever posts e talvez ainda vá uma semana a uma praia da costa alentejana, mas levo o portátil com net móvel para continuar a postar. Entretanto, aqui por casa, vou dando um salto ao Baleal, uma tarde por outra.
O nome Magalhães cheira-me que é uma referência a José Magalhães do PS - Ele que é um dos pioneiros da internet em Portugal.