Depois do anúncio da oferta de 500 mil portáteis, vem agora a oferta de 115 mil livros


Porta do castelo de Turégano, a Norte de Segóvia
O Ministério da Educação vai oferecer um livro a todos os 115 mil alunos do 1.º ano de escolaridade, no início do próximo ano lectivo, numa iniciativa que pretende assinalar o início da vida escolar dos alunos, incentivando, desde cedo, o gosto pela leitura.

Esta operação envolve a aquisição de um total de 115 mil livros e a sua distribuição a cerca de 1500 agrupamentos, que abrangem 6500 escolas do 1.º ciclo da rede pública, e a 600 escolas da rede privada, até 28 de Agosto de 2008.

Com a intenção de salientar as variadas possibilidades que se oferecem aos leitores, esta iniciativa procura diversificar a oferta, convidando todas as editoras com livros recomendados nas listas do Plano Nacional de Leitura (PNL), para esta faixa etária, a apresentarem propostas de fornecimento, incluindo a entrega nas escolas.

A distribuição será feita pelas sedes de agrupamento, que asseguram a redistribuição pelas respectivas escolas, e pelas direcções regionais de educação na rede de ensino privado (encarregando-se a direcção de cada escola de assegurar o levantamento).

O PNL envia também a todas as escolas uma etiqueta e uma brochura destinada a chamar a atenção das famílias para o papel do livro e da leitura no desenvolvimento das crianças e no sucesso escolar.

Os conselhos executivos/direcções das escolas, as equipas das bibliotecas escolares e os professores responsabilizam-se pela organização da iniciativa, que implica a distribuição dos livros, das brochuras e das etiquetas a todos os professores do 1.º ano de escolaridade, para permitir que os entreguem às crianças e às famílias.


Comentário

Tenho pelo Plano Nacional de Leitura o apreço que tenho por todos os planos: pouco apreço. Não vejo legitimidade a um grupo de iluminados, escolhidos pelo poder político de ocasião, para seleccionarem os livros bons para as nossas crianças e jovens lerem na escola ou em casa. Faz-me lembrar um índex ao contrário. Aquele índex que a Inquisição preparava contendo uma lista dos livros proibidos. Custa-me ver o Plano Nacional de Leitura a fazer um frete propagandístico ao Governo, embora saiba que essa função faz parte da natureza da sua criação. Não há requisições, destacamentos e comissões de serviço grátis. O próximo ano lectivo será marcado por uma gigantesca batalha de propaganda centrada nas escolas. Com o dinheiro tirado aos professores, em consequência de um estatuto da carreira docente que impede dois terços de atingirem o topo da carreira, e com a perda do poder de compra, que se arrasta há mais de cinco anos consecutivos, o Governo compra 500 mil computadores e 115 mil livros e põe-se a distribuí-los pelas escolas, sempre com os jornalistas atrás. E ainda tem a desfaçatez de exigir que sejam os conselhos executivos e os professores a terem o trabalho logístico e burocrático de da distribuição dos livros. Incapaz de dar uma única boa notícia ao país sobre a economia e com os índices sociais sempre a piorarem, o Governo passou a inventar realidades virtuais e a comprar as consciências dos cidadãos com a oferta de portáteis e de livros. É desfaçatez a mais! E faz lembrar a escola salazarista de má memória.

6 Response to "Depois do anúncio da oferta de 500 mil portáteis, vem agora a oferta de 115 mil livros"

  1. M. José says:

    É de facto lamentável que:

    - alunos com fome se continuem a sentar diariamente nas nossas salas de aula (desde o 1º ciclo ao secundário);
    - alunos sem posses tenham que ir para a escola sem material escolar;
    - sejam os professores que durante esta legislatura tem sido maltratados, insultados, privados de progredir e cuja carreira foi aniquilada, se vejam obrigados a ajudar os alunos com efectivas carências que o ME ignora;
    - se usem as verbas retiradas a esses mesmos professores, através de um ECD, concurso de Titulares e novas regras para a Aposentação, para se adquirirem 500 mil computadores e 115 mil livros, pondo desta forma em marcha a propaganda para as próximas legislativas.

    Agora, exigir a esses mesmos professores que tenham o trabalho logístico de “distribuir os livros”, organizar os fantástico eventos do “dia do diploma” e da “atribuição dos “500 €uros ao melhor aluno dos cursos científico-humanísticos e ao melhor aluno dos cursos profissionais ou tecnológicos “, coagindo-os a pactuar nessa vergonhosa propaganda, É DEMAIS!!!!!!.

    Lúcia Maciel says:

    Parece-me o cúmulo da incoerência e da demagogia: o governo que quer mostrar que está com as famílias no que concerne à literacia e formação dos seus educandos é o mesmo que obriga os pais de todos os alunos do nosso sistema de ensino a abrirem os seus cordões à bolsa com avultadas somas para adquirir os manuais escolares, condição que deixa a maioria das famílias na penúria nesta altura do ano. Os lobbies são uma coisa esmagadora, não é verdade, Sr.Primeiro Ministro?

    Anónimo says:

    Se dá é porque dá, se não dá é porque não dá. Nunca se esta satisfeito, enfim.

    Anónimo says:

    Pois...enquanto este fumo paira...não se olha para as bibliotecas da rede pública que estão afextas ao 1º ciclo...muitas delas funcionam com a boa vontade de pais e professores...sem qualquer orçamento!!! Exemplo disso é a biblioteca onde tenho horas de TE...coisas de tempos modernos...

    Anónimo says:

    queria dizer afectas e não afextas...

    Anónimo says:

    Trabalhei no ano lectivo findo, 4 tempos, de trabalho de estabelecimento - não lectivo, na Biblioteca Escolar da escola sede do Agrupamento. Nem era necessário tal para constatar o óbvio. Se os alunos estão com cargas horárias semanais que mal chega para se dedicarem ao estudo e se ainda por cima têm aquela monstruosidade designada de "aulas de substituição" que de facto não são de substituição nenuma, claro, que tempo resta aos alunos para lerem um livro ou frequentar a Biblioteca de Escola?
    Não fossem alguns professores de L.P. das escolas e a existência sa A.P., muitos alunos vão para os PC, as B.E. eram simplesmente espaços sem "alunos". Óbviamente.
    Ana