Malefícios da avaliação de desempenho burocrática

Mouriscas

Chamo a atenção para um excelente artigo de Maria Helena Ramalho, na página Web Educare, sobre a avaliação do desempenho docente. Maria Helena Ramalho conclui o artigo chamando a atenção para as consequências nefastas desta avaliação de desempenho burocrática:

Resultados finais:
1. A curto prazo, por certo que as estatísticas do insucesso e do abandono escolar vão apresentar valores mais reduzidos, não necessariamente porque as aprendizagens venham a ser mais conseguidas mas porque, a nível dos docentes, as ‘pressões' e o ‘instinto de sobrevivência' falarão mais alto.

2. A médio e longo prazo, a implosão do sistema educativo e/ou a explosão dos docentes será, infelizmente, o que se vislumbra. A pressão de uma avaliação nestes moldes, feita em contínuo (ano após ano, ao longo de toda uma carreira), irá exercer sobre todos os envolvidos um desgaste incomportável; a missão dos docentes na escola dificilmente será encarada com a alegria e a dedicação espontânea com que muitos até agora (ou até há alguns anos) a viviam. Deixará de haver uma missão por vocação para termos uma escravatura alienante.
Leia mais na Página Web Educare.


É por estas razões que eu acho lamentável que o CCAP não tenha produzido um documento de crítica ao modelo de avaliação burocrático. Como é possível haver professores que aceitam fazer parte do CCAP e se mantenham em silêncio face aos malefícios para professores e alunos do decreto regulamentar 2/2008? Na história da educação deste período, alguém irá escrever uma nota de rodapé a denunciar este caso!

4 Response to "Malefícios da avaliação de desempenho burocrática"

  1. Anónimo says:

    Ao serviço dos Professores e da Educação

    http://queixasdeprofessores.blogspot.com/

    http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/
    Ana

    Reitor says:

    Obviamente, é lamentável mas não é estranho. Aliás, estranho seria que um Conselho criado pela ME, com uma Presidente que se prestou ao papel que todos conhecemos: http://educacaosa.blogspot.com/2008/01/uma-sua-criada.html, nos surpreendesse, agora, com um documento crítico ao modelo de avaliação. Claro que, às vezes, somos surpreendidos mas ainda faltam alguns dias para 23 de Junho, ;)

    Anónimo says:

    Esta colega comunga da minha análise feita aqui há uns tempos sobre a possibilidade de agregação de sub-ítens e não de indicadores/ítens:

    Possibilidade de agregação, combinação ou substituição de itens:
    - O estipulado no Anexo XVI ao Despacho Ministerial, de 7 de Abril (pontos 6 e 7), acaba por ser ridículo, na medida em que segundo o referido ponto 7 só podem ser sujeitos a "agregação, combinação ou substituição as subdivisões dos itens/indicadores" e não estes. Consultando as fichas a preencher pelos avaliadores, somente a que será preenchida pelo/a Presidente do Conselho Executivo contempla subdivisões de indicadores. Poderemos argumentar que já é 'bom', o que é um facto, dado que algumas das subdivisões raiam o absurdo (esperemos que os órgãos de gestão das escolas não as tornem ainda mais aberrantes). Porém, não posso deixar de voltar a sublinhar as incoerências graves das fichas a preencher pelo/a Coordenador de Departamento, fichas essas que, ao abrigo do referido Despacho, não podem ser minimamente alteradas.


    António

    Anónimo says:

    De qualquer modo o artigo é muito bom, mas fica ainda aquém da identificação de todos os aspectos esquizofrénicos das fichas ME e da legislação de suporte que tornam ESTA avaliação IRREALIZÁVEL... por pesssoas normais e com um mínimo de ética.

    Estes aspectos estão presentes em TODOS os parâmetros das 2 fichas.... se alguém duvida, leia com atenção.


    António