Imigrantes do Leste querem ensino exigente: É tudo uma questão de atitude


Escada de acesso ao Miradouro de Almourol, no Arripiado
Uma folha de papel a circular pelas carteiras é algo que nos habituámos a ver nas escolas portuguesas. Não é o hábito das crianças oriundas de países da Europa do Leste. A folha deixa de circular no preciso momento em que o professor inicia a aula. É uma questão de atitude, de cultura, de educação, da importância que se atribui ao ensino? É seguramente diferente e para melhor, dizem os professores portugueses. Os alunos também não se queixam dos nossos educadores, mas pedem uma maior exigência na sala de aula. Um pedido que passa a reivindicação junto dos pais desses mesmos alunos.

Matemática do 3.º ano, mas com o programa de uma escola que fica numa ponta da Europa, no Leste da Europa. Crianças dos oito aos dez anos seguem a matéria em ucraniano como se estivessem no país de origem. É sábado e este é o sexto dia de aulas de alunos que frequentam durante a semana a escola portuguesa. E, assim, prosseguem os estudos nos dois sistemas de ensino. É uma conquista da comunidade ucraniana em Portugal e que está bem expressa no nome da escola Milagre do Mundo. Interrompemos a aula, fazemos perguntas, os alunos atropelam-se para responder. Deixamos duas folhas de papel para escreverem o nome, a idade, há quantos anos aqui estão e o que querem ser quando crescerem. Meia hora depois, as folhas continuam intactas. Faz sentido, quando começamos a perceber estas comunidades. Na aula, é impensável fazer outra coisa que não seja ouvir a professora.

"Ainda não escrevi o meu nome, a professora começou logo a aula", sussurra Daryd Yarova, ucraniana, nove anos, há oito em Portugal.

Um papel a circular pela sala é algo que nos habituámos a ver nas salas de aula e em todos os graus de ensino portugueses. Os imigrantes dizem-nos que não é assim nas escolas da Europa do Leste. "A aula é para aprender. A professora não precisa de levantar a voz. Na escola portuguesa, a professora tem que ralhar para os alunos fazerem as coisas", diz em tom de crítica Bohdan Fedoryshyn, nove anos, há quatro em Portugal. Quer ser futebolistas e engenheiro.

É uma questão de atitude, de cultura, da importância que se atribui à educação. Bem diferentes do comportamento dos nossos alunos. "São realmente diferentes, muito trabalhadores e disciplinados. E sentem vergonha quando têm maus resultados, até porque vão logo para a via profissional. E são os próprios a dizer que os alunos portugueses têm uma atitude de desrespeito para com os professores", explica Isabel Policarpo, professora de Português na Escola 2, 3 de Delfim Santos, em Lisboa. As crianças do Leste estão entre os seus melhores alunos.

Meninos como a Daryd, o Bohdan, a Júlia, o Solomiyo, a Maria, o Mykhoylo, o Aleksandr, a Anastasya, a Marina, a Tetyana e o Dimytro, e que conhecem o sistema de ensino português e ucraniano. Sentem que o ensino "lá [Ucrânia]" é mais difícil, sobretudo nos primeiros níveis. "Lá", não têm mais horas de aulas, mas têm mais trabalhos para casa. Tantos que o tempo de estudo em casa chega a ser superior ao da escola. E tanto elogiam os professores nacionais como os portugueses, com uma ressalva para estes últimos: "Deviam ser mais exigentes!"

Já os professores portugueses não lhes poupam elogios. "O facilitismo mete-lhes confusão, não gostam. Enquanto que para nós é um pouco ao contrário, o nosso ensino está cada vez mais nivelado por baixo", diz Renato Costa, formado em Biologia e professor de Saúde e Socorrismo na Escola Secundária Anselmo de Andrade, em Almada.

Ana Parra dá aulas na Escola Secundária da Amora a alunos que não têm o português como língua materna. Elogia os ucranianos, os moldavos e os russos, que diz terem "capacidades de trabalho invejáveis". E que até as ilustrações dos livros escolares lhes fazem confusão por serem um factor de distracção. É esta capacidade de trabalho que os faz ultrapassar as dificuldade para com a aprendizagem da língua portuguesa. Leia o resto no DN Online.

Comentário

Estas palavras das crianças ucranianas são o veredicto mais certeiro sobre os malefícios que a política educativa de MLR está a introduzir nas nossas escolas. Estas palavras simples e verdadeiras são o juízo mais acutilante sobre os malefícios da "sociologia do coitadinho". Os terapeutas que enxameiam o ME deviam ter a humildade de ouvir as crianças ucranianas. Se as quisessem ouvir, deitariam para o caixote do lixo as suas teorias erradas sobre "ensino ligado à vida", "aprendizagem por problemas", "aprendizagem significativa" e "ensino por competências". O que as crianças portuguesas precisam, como de pão para a boca, é de seguirem o exemplo das crianças ucranianas: trabalho, esforço, responsabilidade, respeito pelos professores, humildade e modéstia. São essas virtudes clássicas, há muito perdidas no nosso país, por obra e graça dos modernaços, que constituem o húmus onde floresce o desempenho e a excelência.

4 Response to "Imigrantes do Leste querem ensino exigente: É tudo uma questão de atitude"

  1. O problema é que valores como "trabalho, esforço, responsabilidade, respeito pelos professores, humildade e modéstia." metem medo aos modernaços porque exigem aquilo que eles não conhecem, e confundem com a autoridade censuradora de outros tempos. São traumatismos antigos que muitos ainda não conseguiram ultrapassar, até porque lhes "dá jeito".

    profg says:

    Como professora de alunos destes paises tenho que destacar os que é dito MAS devo reforçar que em mais do que um caso o que era ensinado na nossa sala de aula ultrapassava o que lhes era ensinado ao sabado, com a agravante de que eles deixavam de fazer os nossos"TPC" para fazer os outros... duplicava o trabalho e nao lhes sobrava tempo nenhum (sao tambem crianças). após uma conversa houve mudanças.

    Anónimo says:

    Eu também tenho tido alunos do leste e é aquilo que se tem aqui dito. São trabalhadores, são exigentes consigo próprios e não gostam da indisciplina que veem. Afinal, nós portugueses, é que ficamos mal vistos com tudo isto! Embora, eles também percebam que os professores acabam por ser vítimas da situação que se vive nas escolas.

    Mas é uma pena recebermos lições destas, indirectas, e não conseguirmos actuar em conformidade. É todo um conjunto de vícios, de atitudes, de maneiras de estar, de comportamentos, de objectivos de vida, de respeito pelos outros... etc., que é necessário alterar.... Mas, evidentemente, que.... se o ME nos quiser ajudar e não complicar.

    JMatias

    Convenhamos que alguns professores têm dado um mau exemplo. Não basta quere ser rigoroso em relação aos alunos e ao seu comportamento e depois, quando se trata dos próprios, recusarem uma avaliação séria e protestarem politicamente em termos pouco apropriados para adultos responsáveis.
    Mm cumps