Um código deontológico para os professores?



Cidade das Ciências e das Artes, em Valência, ontem. Para ver mais fotos de Valência, clique aqui.


Em Portugal, há vários profissionais com códigos deontológicos: os jornalistas, os médicos, os biólogos, os enfermeiros e os advogados. Os professores não têm. Os direitos e os deveres profissionais dos professores estão inseridos na Lei de Bases do Sistema Educativo e no Estatuto da Carreira Docente. É errado dizer-se que não existe um documento oficial com os deveres e os direitos dos professores. Mais de 90% dos professores são funcionários públicos. Talvez por isso nunca tenha havido a necessidade de criar um Ordem de Professores e um Código Deontológico. Com o processo de destruição gradual da escola pública em marcha, vamos assistir, nos próximos anos, a um aumento vertiginoso de alunos a frequentarem escolas privadas. Os colégios estão a abrir por todo o lado e os grandes grupos económicos estão a olhar para o negócio da educação com tanto apetite como o fizeram para o negócio da saúde. É só uma questão de tempo. As políticas miserabilistas e assistencialistas do ME farão o resto. À medida que os pais da classe média alta começarem a verificar que a escola pública está a mudar de missão, começarão a inscrever os seus filhos nos colégios privados a um ritmo crescente. Já estão a compreender que não chega ter uma "canudo" para escapar ao destino da "geração dos 500 euros". O "canudo" tem de ser bom para prestar para alguma coisa. Cada vez mais, o mercado dá valor aos diplomas das boas universidades e os pais da classe média e alta sabem isso.
A Associação Nacional de Professores lançou, há pouco, a ideia de um código deontológico dos professores. Há várias propostas de códigos deontológicos. O falecido Pedro D`Orey da Cunha elaborou uma proposta na década de 80. Essa proposta está publicada no livro Ética e Educação (Universidade Católica Portuguesa). A proposta de código deontológico que aqui publico é da autoria de Agostinho Neves da Silva e foi criada no âmbito do Curso de Especialização em Comunicação Educacional e Gestão da Informação, na Universiadde Católica Portuguesa, Pólo de Viseu. Leia aqui. Estou em crer que o crescimento do ensino básico e secundário privado vai criar as condições para a aprovação de um Código Deontológico dos Professores e de uma Ordem. É só uma questão de tempo. Não estou a dizer que são coisas boas. Estou apenas a constatar a sua necessidade.

10 Response to "Um código deontológico para os professores?"

  1. Anónimo says:

    Em relação código deontológico dos professores, gostava de perceber como é que ele vai contribuir para melhorar o ensino em Portugal. Se sim, então que venha o código deontológico!

    JMatias

    Anónimo says:

    (continuação)
    ... porque, na prática, os professores já têm a sua deontologia profissional que tentam segui-la o mais possível. A não ser que, do ponto de vista legal, haja algumas implicações!

    JMatias

    Anónimo says:

    Colega JMatias, com o código deontológico insticionalizado para uma Ordem de Professores, tem vantagens para os professores. Por exemplo, o Professor Bastonário representaria os professores, falaria em nome de todos directamente sem a intervenção dos sindicatos. Digama-me lá se as outras profissões têm poruqe os profesores não hão-de ter uma Ordem?

    Anónimo says:

    Caro colega das 21.22, não duvido que o Bastonário represente todos os professores, mas por aquilo que vejo, por exemplo, na Ordem dos Advogados, os Bastonários passam a vida a dizer o pior possível do anterior, que representou muito mal os advogados. Eu concluo que os advogados também serão mal representados pelo Bastonário. Será?

    JMatias

    Anónimo says:

    (continua)

    ... gostava de ouvir outros comentários.

    JMatias

    Penso que se houvesse uma ordem dos professores haveria mais e melhor reconhecimento público da classe. Poderão outros afirmar que os sindicatos também podem fazer esse papel na dignificação ética da carreira, embora creia que não seja a mesma coisa.Enquanto a ordem por razões de ética e deontologia conseguiria unir toda a classe, os sindicatos não lhe cabem essa função.Os sindicatos por razões que nada importam aqui enunciar só conseguiram ao longo dos tempos fazer com que a classe ficasse dividida conforme as opções politicas por dezenas de representantes. Acho que seria uma mais valia se houvesse uma ordem dos professores.

    Anónimo says:

    Eu também gostaria de saber que vantagens nos trariam um Código Deontológico e uma Ordem...
    Já temos tanto quem nos represente... Sindicatos... Conselhos de... Associações de... Movimentos... E afinal a situação está a piorar de dia para dia... Todos os dias há ''novidades''... E qual delas a melhor!!!...

    Há por aí alguém que possa fazer alguma coisa???

    Isa

    Cara ISA:
    Penso que seria benéfico porque uma ordem implica um código deontológico, ou seja um compromisso dessa classe com esses principios.A união à volta desses principios seria uma realidade incontestável e qualquer fuga a esses principios seria muito contestada.

    da says:

    Com o processo de destruição gradual da escola pública em marcha, vamos assistir, nos próximos anos, a um aumento vertiginoso de alunos a frequentarem escolas privadas. Os colégios estão a abrir por todo o lado e os grandes grupos económicos estão a olhar para o negócio da educação com tanto apetite como o fizeram para o negócio da saúde. É só uma questão de tempo. As políticas miserabilistas e assistencialistas do ME farão o resto. À medida que os pais da classe média alta começarem a verificar que a escola pública está a mudar de missão, começarão a inscrever os seus filhos nos colégios privados a um ritmo crescente. "

    Só banalidades, chavões, tretas...


    O ensino privado só cresce devido à má organização das escolas públicas, à gestão democrática, ao centralismo do ME, aos maus professores que lhe são impostos por concurso nacional.

    Que horário praticam esses colégios, não serão assistencialistas?


    Livremos a escola pública do ME, dos Especialistas, que ele não dá hipóteses aos privados.

    O Ramiro Marques é uma pobreza de pensamento.

    O código deontológico para os professores poderá não ser a única opção. Será porventura uma das poucas maneiras de regulação da profissão docente. No entanto, é necessário pensar também na formação contínua de professores, na preparação que estes profissionais têm, sobretudo ao nível da ética.
    Andamos confusos com o aumento de (novas) funções atribuídas aos professores, com todos os deveres que estão associados à profissão. No entanto, é necessário estabelecer que, antes de qualquer outra função, os professores têm duas funções principais: ensinar e preparar os alunos para uma cidadania activa. Fazer com que os professores estejam assoberbados de outros trabalhos e tarefas, não ajuda em nada ao desempenho dessas duas funções principais.
    É necessário (re)pensar a profissão docente e criar infraestruturas de apoio nas escolas para que todos possamos realizar melhor o nosso trabalho.

    Célia.