SPM critica programas de Matemática
Ponte Salgueiro Maia, vista das Portas do Sol. Santarém, esta tarde.
A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considera que os erros detectados em manuais de Matemática do 9º ano se devem sobretudo às orientações “erróneas” dos programas da disciplina.
Em comunicado, a SPM recorda que “já há bastantes anos tem alertado” para os erros nos livros escolares. Para a SPM, “preocupante no estudo apresentado pelo ME é que ele se apresenta como modelo, procurando orientar a forma como os manuais deverão ser feitos, e procurando que sigam as orientações pedagógicas do Currículo Nacional de 2001, precisamente o documento que cristaliza alguns dos mais graves erros pedagógicos cometidos em Portugal nos últimos vinte anos”.
Comentário
A SPM tem vindo a alertar, há vários anos, para as orientações erradas nos programas de Matemática. A ênfase que o ME tem vindo a colocar no uso de calculadoras no 1º CEB é, no entender da SPM, mais um de entre muitos erros. Segundo a SPM, o mau desempenho dos alunos portugueses, deve-se também às orientações programáticas erradas.
Gostaria de conhecer a sua opinião. Concorda com a crítica da SPM?
Em comunicado, a SPM recorda que “já há bastantes anos tem alertado” para os erros nos livros escolares. Para a SPM, “preocupante no estudo apresentado pelo ME é que ele se apresenta como modelo, procurando orientar a forma como os manuais deverão ser feitos, e procurando que sigam as orientações pedagógicas do Currículo Nacional de 2001, precisamente o documento que cristaliza alguns dos mais graves erros pedagógicos cometidos em Portugal nos últimos vinte anos”.
Comentário
A SPM tem vindo a alertar, há vários anos, para as orientações erradas nos programas de Matemática. A ênfase que o ME tem vindo a colocar no uso de calculadoras no 1º CEB é, no entender da SPM, mais um de entre muitos erros. Segundo a SPM, o mau desempenho dos alunos portugueses, deve-se também às orientações programáticas erradas.
Gostaria de conhecer a sua opinião. Concorda com a crítica da SPM?
Em geral, tenho discordado de posições (publicadas) do presidente da SPM sobre o ensino básico, mas não discordo do parecer final da SPM sobre o novo programa, parecer que prefiro referir em vez do comunicado agora mencionado - parecer que se encontra aqui. Nomeadamente, concordo com a crítica: "(...)é pouco claro nas
metas e na definição dos conhecimentos e capacidades que os estudantes devem
adquirir etapa a etapa. Não é ainda um documento de trabalho de uso fácil e
directo, de onde os professores e os autores de manuais possam retirar orientações
claras e precisas."
Considero que o parecer da SPM incide mais sobre questões do 1º Ciclo, omitindo, por exemplo, um erro que considero inexplicável e que já se verificava na anterior reestruturação curricular - o da exclusão do programa do 2º ciclo da noção de equação e da iniciação na resolução de equações de tipo elementar, simples, o que leva a que os alunos decorem e automatizem procedimentos na resolução de problemas na unidade da proporcionalidade directa, sem sustentáculo na compreensão, o que é um exemplo contraditório com o discurso genérico do programa.
Mas confesso que ainda não me debrucei pormenorizadamente sobre o novo programa, pelo que esta última observação carece de melhor confirmação. Aliás, ela prende-se com a crítica da SPM que citei relativamente à pouca clareza nas metas que os alunos devem atingir etapa a etapa. Não discordo de que o actual programa esteja definido por ciclos e não por anos, mas penso que isso não seria impeditivo de que acrescentasse orientações/sugestões mais precisas para os professores sobre etapas a percorrer.
Isabel Campeão (professora de Matemática dos 2º e 3º ciclos, aposentada)
Sou autor de livros de Electricidade/Electrónica já há vinte e tal anos. É verdade que a Matemática é uma disciplina diferente das minhas, no entanto há assuntos comuns, no que toca à elaboração dos manuais. Eu tinha de fazer uma interpretação muito pessoal dos programas, expurgando-os de tudo o que fosse irrealista, de tudo o que fosse impossível de concretizar ou que eu achasse supérfluo e, conhecendo eu os alunos e as suas dificuldades, fazia os livros de forma a que os mesmos não complicassem, fossem claros,exigindo aquilo que era fundamental. Nunca fui atrás de modismos, nunca fui atrás de ideias de que o aluno não tem de se esforçar, assim como entendo que todos os alunos têm capacidades... assim o queiram.
Por isso, entendo que nos livros se deve: utilizar linguagem clara; ser objectivo; utilizar exemplos práticos, sempre que possível; utilizar uma metodologia linear, isto é, explicar o conceito, seguido de problema resolvido, problema por resolver, questionário quando conveniente; utilizar figuras, desenhos e gráficos ilustrativos e sugestivos, sem sobrecarregar nem desviar a atenção do essencial.
Portanto, e em síntese, deve dar-se ênfase ao essencial e não ao acesório.
Quanto à Matemática, que é um problema que me afecta nas minhas disciplnas, entendo que os alunos:
1. Não devem utilizar a máquina de calcular nos primeiros anos
2. Têm de aprender a tabuada logo nos primeiros anos. A tabuada é fundamental. Memorizar só lhes faz bem. Ninguém raciocina sobre o vazio: O cérebro tem de ter lá alguma coisa!
3. Podem, e devem, utilizar a máquina de calcular, mais tarde, depois de provado que sabem a tabuada e que a máquina é útil e prática para a resolução de certos problemas.
4. Os alunos têm de se habituar a resolver muitos problemas, a levar TPCs de Matemática
5. Não lhes faz mal nenhum, antes pelo contrário, fazerem cálculo mental
6. Tem de desmistificar a ideia muito disseminada nos alunos de que a Matemática é um papão. Acho que é uma grande desculpa que os alunos arranjaram para não estudar matemática, porque dá trabalho.
7. Fazer Matemática exige esforço, contrariamente a certas teorias dominantes.
JMatias
"A ênfase que o ME tem vindo a colocar no uso de calculadoras no 1º CEB é, no entender da SPM, mais um de entre muitos erros."
Sou professora do 1.ºciclo há 22 anos, actual coordenadora de ano(2.ºano) e nunca vi nenhuma orientação do ME no sentido de usarmos calculadora. De resto os cálculos no 1.º ciclo são tão básicos que tal não fazia sentido.