Os adesivos, os passivos e os ambiciosos. Com estes três ingredientes se faz a caldeirada à tirania
Muitos presidentes dos conselhos pedagógicos deixaram há muito de representar os colegas e não têm qualquer pejo em o afirmar.
Presidentes de Assembleias de Agrupamento há que iniciaram já o processo de eleição do Conselho Geral Provisório, a pedido de PCE, com lista já formada, a convite dos mesmos.Tudo para que rapidamente se aplique o Dec. do novo modelo de gestão, que permite o processo de candidatura e selecção dos futuros directores, bastando para isso que o RI seja aprovado e se tratem de CE cessantes. Nem é preciso o Conselho Geral esperado só para Maio de 2009.Faz-se já tudo e prontinho.
Por isso, e avaliando a situação, a frio, verifica-se que muitos rapidamente se estão adaptando às mudanças, seguindo o velho ditado do evolucionismo: adapta-te ou morres.
Triste sina.
Helena
Comentário
Este interessante depoimento da Helena levanta uma questão importante: devem os professores boicotar o novo modelo de gestão escolar ou devem procurar que o cargo de director não venha a ser ocupado por adesivos e pequenos ditadores? Como em qualquer outra profissão, há quatro tipos de pessoas: os adesivos, os ambiciosos, os passivos e os que têm coluna vertebral. Em certas fases do processo histórico, os últimos estão em minoria. A criação do novo ECD e da avaliação de desempenho burocrática baseou-se no reconhecimento da existência destes quatro tipos de profissionais. A ministra da educação sabe pouco de Educação mas sabe alguma coisa de sociologia das profissões. Afinal, ela fez um doutoramento nessa área. Dividir para reuniar, acenar com uns amendoins aos ambiciosos, esperar que os adesivos façam o que lhes está nos genes e contar com a passividade dos passivos. Isolar os profissionais que têm coluna vertebral. Aparentemente, esta estratégia está a produzir resultados.
Qual é a vossa opinião? O que fazer para evitar que os pequenos ditadores e os adesivos tomem o poder nas escolas?
Se quiser ver as minhas fotos da cidade de Santarém, tiradas hoje, clique aqui.
O que a Helena denuncia é mais verdadeiro do que muitos pensam... É exactamente isso que está a acontecer na maioria das escolas por esse país fora... Isso... mais o desejo voraz de avaliar...
Quanto a ''nós''... Vamos deixando que isso aconteça... passivamente como diz, Ramiro!...
Onde estão os 100 mil???
Por que tanto gritámos a 8 de Março???
Isa
Como eu dizia num outro post, na manifestação dos 100 000, os professores tinhamn algo em comum que os unia, mas também tinham muito que os diferenciava. Isto é, os objectivos não são os mesmos!
Depois da manifestação, os professores foram à sua vida e, no local de trabalho, trataram da sua vida!
Aliás, vê-se nos blogues que a grande maioria não se dá sequer ao trabalho de se identificar com um nome simples. Não, preferem ser anónimos para serem livres de dizerem o que querem sem se comprometerem!
Sinceramente, não gosto desta postura, que já quer dizer muito!
JMatias
Cara Isa...Dos 100 mil que a Lisboa foram, se calhar mais de metade, nem sabiam o que estava em jogo, quer apostar?
Mais...Quer apostar que se calhar
mais de metade da classe docente nem leu o novo Decreto sobre o novo modelo de gestão das escolas?
Muitos apenas e só "Revolucionam" de sala de Professores, entre chalaças e café matinal!
Sabe quantos dos 100 mil vão formar os Conselhos Gerais? Milhares!
Imagina quantos PCE vão passar a Directores e marcharam e gritaram e abandeiraram em Lisboa?
Quer uma ideia, cara colega? Isto vai acalmar, vai serenar, e tudo como dantes no quartel em Abrantes!
A sociologia comportamental e psíquica da classe docente portuguesa nem sequer é difícil de perceber, basta saber um pouco de História da Educação em Portugal, principalmente desde a 1ª República!
Se os Professores lessem um bocadinho, reflectiam nestas sábias palavras :" (…)Quando se trata de educação, nenhum político tem dúvidas, nenhum comentador se engana, nenhum português hesita. Palavras gastas. Inúteis. Banalidades. Mentiras. O que é evidente, mente. Evidentemente.”
Ou estas:
"A realidade impõe-se ao sonho, ao ideal, mas não passa ao querer”, avisava Agostinho de Campos, em 1933. E, contrariamente ao que aconteceu nos anteriores "andamentos do atraso educacional"– com a Regeneração (há 150 anos), com a República (há 100 anos), com a industrialização (há 50 anos) – não se vislumbra nenhuma ideia que nos possa mobilizar (ou, pelo menos,"distrair").
A não ser que se invente um impulso elãn reformador. Mas sobre isso, já Agostinho de Campos escreveu palavras definitivas: "De quando em quando, ouve-se dizer por aí, muito a sério e em tom de profundo convencimento: Precisamos de uma reforma geral do ensino... Melhor seria dizer, logo de uma vez: Faz-nos falta um milagre de Nossa Senhora de Fátima”.
E olhe colega Isa, não são minhas são de um dos grandes, actuais e lúcidos pensadores da educação em Portugal!
Somos mesmo uma classe? Que cultura de classe nos une? Que cimento de consciência profissional nos agrega?
Existe quase uma fatalidade de servilismo "bovino", de pacatez provinciana do deixar andar , do não fazer ondas em muitíssimos Professores Portugueses!Só de vez em quando e fruto da modernidade tecnológica, ou de demasiada canga, temos "estertores" revolucionários, achaques de um heroísmo balofo, que nos levam a dizer que foi dos momentos mais belos da nossa vida!
Queixamos-nos de quê? Adoramos decretos, portarias, e quem decida por nós, mesmo quando podíamos decidir!
É que 100 mil em acção , jamais corresponderam a 100 mil de coração e reflexão! Foi-se apenas, porque era para ir, porque era de bom tom ir,de campanha, dizer presente mesmo quando andamos anos ausentes.
Não somos diferentes da mentalidade nacional: adoramos o "Pater" mesmo que não seja Nostrum!
Gostamos da acalmia, do conhecido, do lugar comum. Depois até criticamos quem luta por nós, mesmo com erros de percurso! Que chatice estragarmos a lauta refeição conformista, com greves, com reuniões. E eu nem sindicalizado sou!
Um estudo profundo de sociologia profissional a classe docente portuguesa! ( Claro, não orientado pela MLR)!
Há quem pense e diga... e saiba tudo aquilo que eu já sei... E é bom ouvi-lo dizer... ou lê-lo...
Não estou sozinha, penso eu, ao ler os vossos comentários e opiniões...
Bem hajam pelo que pensam e transmitem!...
Só que, infelizmente, não basta! Somos poucos... Julgo que cada vez menos!!!...
Tenho pena!!! Fico triste!!!...
Isa
Interessante é ver como em Portugal um Professor que NUNCA FOI AVALIADO chega ao topo da Carreira Docente (Ministra da Educação!) e se põe a disparar em todos os sentidos contra os Profs.-não-avaliados.
Vejamos, a Drª Maria de Lurdes tirou o antigo 5ºano ( 5º !!! - actual 9º ) ano e ingressou no Magistério Primário(naquele tempo eram dois anos de curso).
Deu aulas na Primária até se inscrever no ISCTE (com o 5ºano + 2 anos de Mag. Primário!).
Ao fim de 5 (CINCO) anos de estudos em curso nocturno,sai com um DOUTORAMENTO que lhe permitiu dar aulas ( ?! ) no ISCTE, por acaso onde o sr. Engenheiro Socras fez a pós-graduação(mestrado?) a seguir à "licenciatura" ??????? da UNI.
Digam lá que não lhe deu um certo jeito nunca ser PROFESSORA AVALIADA!
Do outro lado da barricada, também era CONTRA a avaliação dos Professores, não era, Drª Maria de Lurdes?
Pelo menos o seu ex- Professor Iturra diz que sim...e ainda nenhum ex-aluno veio aqui para os fóruns gabar-lhe os dotes docentes!
Não teremos mesmo melhor?
Os professores poderão lidar com os alunos como a Srª lida com os professores?
Exigir-lhes tudo ensinando pouco e com tão parco exemplo?