O PAM: os meios, o impacto e as críticas
Praça de Touros de Valência, no sábado à noite
O Ministerio da Educação acaba de divulgar os últimos números no Relatório de Execução de Abril de 2008: As estatísticas apuradas pelo Ministério da Educação (ME) indicam que, no seu segundo ano de existência, o Plano de Acção para a Matemática (PAM) envolve 395 mil alunos e 77 584 professores, dos quais 9036 são docentes de Matemática, e mobiliza um investimento de 2,6 milhões de euros.
As escolas têm sido dotadas de diversos recursos, nomeadamente créditos horários (10 087 horas), equipamentos que chegam a ser de 1628 quadros interactivos, 365 projectores de vídeo e 428 computadores de secretária, além de software e livros.
O balanço do segundo ano da execução do PAM mostra também o envolvimento de milhares de professores dos 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário em programas de formação contínua em Matemática, em articulação com instituições de ensino superior.
Por seu turno, o Gabinete de Avaliação Educacional já disponibilizou no seu sítio (http://www.gave.min-edu.pt/ ) 1000 itens para o exame de 9.º ano e sugestões de trabalho, de forma a proporcionar uma maior familiaridade dos professores e dos alunos com o tipo de exercícios propostos.
Comentário
Ninguém pode acusar esta equipa ministerial de falta de voluntarismo ou de inércia. Ao invés, o voluntarismo e a pressa são a imagem de marca desta equipa. É por isso que fazem tanta coisa mal feita.
O PAM é um mega projecto de formação em serviço de professores do ensino básico. Os meios ao dispor do projecto são imensos. Resta saber se os benefícios irão ser proporcionais aos meios. A principal crítica que se pode fazer ao PAM é ao nível da sua concepção. Elaborado por um pequeno grupo de iluminados, a pedido da ministra da educação, o plano foi imposto sem que as instituições de formação tivessem podido colaborar na sua concepção. Ou aceitavam ou largavam, É claro que as instituições de ensino superior aceitaram sem pestanejar. As verbas e os recursos envolvidos não permitiram grandes discussões. O PAM foi uma forma de as instituições de ensino superior ganharem mais uns docentes requisitados e receberem mais umas verbas para compor os seus magros orçamentos. Para os professores do ensino básico, o PAM significou, em muitos casos, formação aos sábados de manhã e de tarde. A maneira e a pressa como os docentes foram escolhidos deixa muito a desejar. Houve docentes empurrados para participarem no PAM. Ficamos à espera que o ME mande fazer uma avaliação rigorosa do impacto do PAM. Essa avaliação só será rigorosa se for feita por uma equipa internacional. Entregar à IGE a avaliação de projectos concebidos pelo ME é ser juiz em causa própria. Leia o relatório de execução do PAM, de abril de 2008.
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