Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Torna-se difícil dar credibilidade aos exames

Esta história do aproveitamento político dos exames já chateia. De cada vez que os resultados nos exames são favoráveis à imagem que a ministra da educação quer passar para a opinião pública há conferência de imprensa para divulgar as mais estranhas teses. Ou é porque o Plano de Acção da Matemática está a melhorar as práticas dos professores do 9º ano, mesmo que o PAM ainda não inclua os alunos desse ano de escolaridade. Ou é proque os alunos estão a trabalhar mais. Ou é porque os alunos deixaram de ter "feriados" por via das aulas de substituição. E quando os resultados baixam, como aconteceu com o exame de Matemática do 12º ano, é porque a SPM, os jornais, sobretudo o Público, e os blogues de professores "agrediram os alunos e as famílias" e criaram a ideia de que os exames eram fáceis.
Está visto que os exames nacionais perderam credibilidade de tanto serem usados politicamente. Hoje, a ministra da educação afundou um pouco mais a já escassa credibilidade dos exames ao pronunciar-se mais uma vez sobre os resultados dos exames de Matemática e de Português do 9º ano. Setenta por cento dos alunos do 9º ano obtiveram positiva no exame de Português. A par de uma pequena descida a Português, registou-se uma subida a Matemática.
Este debate está viciado não só pela politização que foi feita dos exames como pelo facto de os enunciados e tabelas de correcção não serem elaborados por uma entidade independente do Governo. Acredito que o GAVE não recebe directivas do Governo sobre cada exame em particular mas as oscilações no grau de dificuldade e o aproveitamento político que a Ministra da Educação faz dos resultados retiram-lhe credibilidade.
E há ainda uma questão de fundo. Por que razão se dá tanta importância aos resultados a Matemática e Português e tão pouco às outras áreas curriculares e disciplinares?
Por que razão não se fala das Artes? Nem da História? Nem da Filosofia?
Esta hierarquia das disciplinas, com a Matemática e o Português a ocuparem todo o espaço mediático, mostra bem a desvalorização a que foram votadas as aprendizagens nas Artes e nas Humanidades.
E sobre a questão dos exames nacionais muita coisa haveria a dizer. Embora lhes reconheça alguns benefícios, não deixo de os associar ao decréscimo da criatividade e do espírito crítico por efeito de um ensino formatado em função dos exames.

A história

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A pior herança: a partidarização das escolas. Municipalização, partidarização e interesses particulares

Uma das piores heranças de Maria de Lurdes Rodrigues é a partidarização das escolas. Os autarcas do PS e os dirigentes partidários locais olham para as escolas públicas como território de caça. Outrora, um território a salvo do compadrio, das ingerências partidárias e dos interesses particulares, as escolas públicas - cada vez menos escolas e mais unidades de gestão - tornaram-se espaços onde desaguam as lutas partidárias locais com o objectivo da distribuição do poder, dos lugares e dos empregos.
No centro desta disputa, que vai ulcerando as escolas, está o processo em curso de municipalização das escolas com a prometida entrega às autarquias do recrutamento e gestão de muitas dezenas de milhares de professores e outros tantos técnicos de educação, de psicologia, de apoio administrativo e de acção educativa.
Quem dominar os territórios é dono dos lugares, dos recursos e dos empregos. E nós sabemos como é que os autarcas do PS - sobretudo eles, embora também os outros, ainda que com mais decoro e reserva - se relacionam com a sociedade civil e com as estruturas locais da administração pública. A forma indecorosa como alguns autarcas do PS e do PSD (estes, apesar de tudo, em menor quantidade) agiram dentro dos conselhos gerais, procurando impor à força os candidatos a directores próximos do Partido leva-me a concluir duas coisas:
1. A municipalização das escolas está em marcha acelerada e vai aprofundar-se caso o PS ganhe as eleições legislativas.
2. Grande parte das escolas estão infectadas com o vírus da partidarização e os directores são marionetas às ordens das DREs e dos autarcas locais.
3. Os professores não perderam apenas o pouco poder que tinham dentro das escolas. Correm o risco de serem manietados pelos políticos locais que, como é sabido, se lançaram à conquista das direcções das Associações de Pais, tendo em vista o controlo político e partidário não apenas das AECs mas também da gestão dos recursos dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas.
Foto: Mercado de fruta em Barcelona
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O Conselho de Escolas é uma excrecência que tem de ser removida

Apesar da quase clandestinade a que se remeteu depois da derrota do Partido que o criou, o Conselho de Escolas ainda mexe. A lista de directores que o compõem é longa. E continua a fazer estragos. Recentemente, o Conselho de Escolas divulgou um memorando onde dá conta de uma putativa orientação oral da ministra da educação sobre o que fazer aos professores que não entregaram os objectivos individuais e resolveram preencher a ficha de auto-avaliação. Pois bem, em vez de o Conselho de Escolas exigir que a orientação seja passada a escrito, sob pena de não poder ser acatada - ou será que já não vivemos num Estado de direito? - limitou-se a divulgar a informação como se ela fosse inquestionável. O Conselho de Escolas é um órgão criado pelo PS e por Maria de Lurdes Rodrigues com o objectivo de domesticar os professores e de partidarizar a gestão escolar. Pelo passado pouco edificante e pela sua falta de utilidade, convém que o próximo Governo recicle a excrecência. Atrapalha, não faz falta e gasta dinheiro inutilmente. Em vez de andarem a passear-se pelo país, à custa do erário público, é preciso que o próximo ministro da educação os mande para onde nunca deviam ter saído: os gabinetes das escolas que juraram servir.
Deixo o link para a Página Web do Conselho de Escolas. É de uma pobreza confrangedora. Fica a ideia de que o órgão é quase clandestino. Não há divulgação pública de quase nada. Tudo muito secreto. Actas? Nem vê-las! Apenas uns comunicados que escondem quase tudo e pouco dizem. Apetece perguntar: não sobra dinheiro para pagar a um bom webdesiner? Vai todo direitinho para as ajudas de custo e pagamento de deslocações? É que, nos últimos tempos, os directores pouco mais fazem do que saltarem de reunião em reunião pelo país fora. Reuniões com as DREs, reuniões com a ministra, reuniões com os secretários de estado, reuniões uns com os outros, eu sei lá...É caso para perguntar: viciados em reuniões e em ajudas de custo? Aproveitem até final de Setembro.
Foto: Clique para ampliar. Constância, entre o Zêzere e o Tejo
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O plano de contingência para as escolas é dar lenços de papel e instalar secadores de mãos

A Direcção-Geral de Saúde já revelou qual vai ser o plano de contingência para as escolas no caso da pandemia se concretizar. E o plano é distribuir lenços de papel e instalar secadores de ar quente para as mãos. A existência de casos isolados de crianças com gripe A não conduzirá ao encerramento das escolas. O encerramento só se justifica em casos excepcionais. Por exemplo, quando houver várias crianças e funcionários com sintomas de gripe A. Quanto às professoras grávidas e docentes com doenças graves, nada é dito. O mais provável é que sejam obrigadas a continuar a leccionar a não ser que optem por recorrer a atestado médico. Se a pandemia se concretizar, pouco poderá ser feito. Para a esmagadora maioria dos doentes, os transtornos não serão muito diferentes dos que são provocados pelas gripes sazonais: febre e dores no corpo durante alguns dias. Em muitos casos, a gripe passará naturalmente sem qualquer tratamento. Noutros, bastará a medicação antiviral. Os grupos de risco - asmáticos, portadores de doenças respiratórias e doentes oncológicos - precisarão de outros cuidados médicos e, provavelmente, internamento hospitalar. É preciso não entrar em pânico.
Foto: Constância ao fundo. Clique para ampliar
A história

Domingo, 12 de Julho de 2009

Ainda sobre o Novas Oportunidades: os novos oportunizados ganham em auto-estima, arrecadam certificado e subsídio

Tenho pena de não conhecer o Reitor mas ele sabe que tenho pela escrita dele e pelo blogue que ele edita, EducacaoSA, um grande respeito. O Reitor sabe dar onde mais dói e arreia a matraca na altura apropriada. E fá-lo sempre com uma escrita elegante, ora sarcástica ora erudita. Desta vez, acertou em cheio nos vícios do Programa Novas Oportunidades. Aqui e no blogue Educação do Meu Umbigo foram feitas abundantes referências ao célebre estudo externo, dirigido por Roberto Carneiro, que terá custado 300 mil euros, e que concluiu ser o programa do agrado dos 900 mil diplomados. E mais de 80% dos felizes contemplados disseram mesmo que o NO é igual ou melhor do que o ensino regular. E os autores do estudo concluíram que o NO faz bem à auto-estima. Ora não havia de fazer? Oferece certificados sem a maçada de frequentarem as aulas e de se submeterem a um programa com uma carga horária lectiva e avaliação a sério e ainda por cima levam para casa subsídio de transporte e de refeição.
Foto panorâmica do encontro do rio Zêzere com o rio Tejo

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Uma escola formatadora ou uma escola que potencia a criatividade? A questão dos exames nacionais e do excesso de regulamentação

O meu post "Políticas educativas e excesso de regulamentação matam a criatividade e o espírito crítico nas escolas" provocou alguma discussão em torno dos exames nacionais e da centralização curricular e pedagógica. O Ricardo Silva reagiu desta forma:
Está na altura de se perceber que Escola Pública queremos: uma escola inclusiva e cultural,com autonomia e margem de manobra local a nível dos currículos e das práticas pedagógicas, orientada para o desenvolvimento das capacidades e competências dos alunos, ou uma escola certificadora e produtora de mentes formatadas a nível central, orientada para a mestria. O que não se pode é dizer que se respeita a autonomia e se promove a inclusão e se exigem pedagogias diferenciadas na sala de aula e se promove uma avaliação com diversos itens, da escrita à oralidade, do cumprimento de trabalhos de casa à atitude e assiduidade, para depois se sufocar todo o sistema com um exame normalizado aplicado a nível nacional, que confronta cegamente a avaliação interna com a externa, com o remate final da exigência, nos relatórios de avaliação externa das escolas, da aproximação dos resultados entre uma e outra.
Quanto à questão do espírito crítico e da criatividade, é bom recordar que em certos regimes do século XX também se afirmava, alto e bom som, que não se pretendia uma educação intelectual, pois ela poderia "corromper" a juventude. Enfim...
Ricardo Silva
Foto: Arripiado visto de Tancos. 1º Almoço/Passeio do ProfAvaliação

Inscrições abertas para o 2º Curso Online de Profissionalização em Serviço

A Universidade Aberta aceita candidaturas até ao dia 15 de Julho para a frequência do 2º Curso Online de Profissionalização em Serviço. Um protocolo entrre a Universidade Aberta e a Fne concede uma redução de 15% aos associados dos sindicatos da Fne.
Podem candidatar-se os professores que reunam cumulativamente as seguintes condições:
1. Ser titular de um curso de habilitação para a docência
2. Possuir até 30 de Agosto de 2009 6 anos completos de serviço docente.
É completamente descabida a exigência nº 2. Não existem razões pedagógicas que justifiquem a obrigatoriedade dos 6 anos de serviço. Por que razão 6 e não 3, ou 2 ou 7? Essa exigência tem como único objectivo dificultar a vida a milhares de professores que, ao longo dos anos, deram o seu melhor ao ensino e se viram impedidos de se profissionalizarem. Com esse obstáculo, o ME garantiu mão-de-obra barata. Os sindicatos foram sempre pouco firmes no combate a esta exigência ridícula que impediu milhares de professores de se profissionalizarem.
Foto: Barco no Rio Tejo, em Tancos. 1º Almoço/Convívio do ProfAvaliação
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Políticas educativas e excesso de regulamentação matam a criatividade e o pensamento crítico nas escolas

Estudo realizado no Reino Unido mostra que dois terços dos académicos consideram que as escolas básicas e secundárias estão cada vez a ensinar menos os jovens a pensarem de forma autónoma e crítica. O excesso de regulamentos e a inflexibilidade curricular, a pressão para a prestação de contas e o "ensinar para o exame" contribuiram para a morte da criatividade nas escolas.
O caso português é paradigmático: o que interessa é ensinar para as estatísticas. O ME, as DREs e a IGE exrcem uma pressão desmedida sobre os professores, impondo a formatação das mentes e das práticas, em função da fabricação estatísticas de resultados escolares que possam levar o Governo a anunciar, propagandisticamente, que, graças às iniciativas governamentais, se assistiu a melhorias nos resultados escolares.
Os professores são desincentivados a serem criativos e o ensino das Artes e das Expressões menorizado em favor de uma falsa superioridade da Matemática e das Ciências. As constantes intromissões do ME, através de sucessivas portarias e despachos, e das DREs e Equipas de Apoio às Escolas, através de visitas regulares e de pedidos de informação sob a forma de grelhas, questionários e relatórios, impedem os professores de inovar, de trabalhar colegialmente, de partilhar materiais e de fazer uso da criatividade.
Foto: Ontem, no Rio Tejo, em Constância, depois do almoço/passeio do ProfAvaliação
A história

Planos de contingência para as escolas ainda não são conhecidos. É provável que os professores não tenham acesso generalizado à vacina

Ficámos ontem a saber que os ministérios da saúde, da educação e do trabalho estão a preparar planos de contingência para as escolas. Não foram divulgados pormenores dos planos de contingência mas sabe-se que não existe intenção de fechar escolas, a não ser em casos muito especiais. Há a indicação de que os procedimentos a adoptar serão semelhantes aos adoptados no caso da residência da Universidade do Minho: o aluno com Gripe A é isolado e os colegas que privaram de perto com ele sujeitos a um tratamento preventivo à base de Tamiflu. Sabe-se que as crianças e os jovens adultos estão particlarmente expostos à Gripe A. Embora, na esmagadora maioria dos casos, a Gripe A não tenha mais consequências do que as gripes sazonais, há populações particularmente vulneráveis: grávidas com problemas respiratórios graves, doentes asmáticos e doentes oncológicos. E há alguns casos, raros, de pessoas saudáveis que morreram na sequência de complicações provocadas pela Gripe A. Tudo leva a crer que o Governo não vai isentar de serviço as professoras grávidas e os docentes com doenças graves. Os sindicatos ainda não se pronunciaram sobre esta questão mas seria bom que o fizessem a tempo. Os planos de contingência para as escolas vão limitar-se à distribuição de materiais de limpeza, distribuição de informação e pedidos aos professores para trabalharem o assunto nas aulas. Dada a dimensão que a pandemia pode ter, é de crer que, no pico da crise, no Outono e princípio do Inverno, a Gripe A tenha o mesmo tratamento que as gripes vulgares: as pessoas infectadas com o vírus H1N1 ficarão em casa durante alguns dias a tomar medicação antiviral. Só os casos graves serão alvo de internamento hospitalar. As estimativas mais optimistas apontam para 30% de protugueses infectados com o vírus H1N1. Mas podem ser mais. Os grupos profissionais mais expostos são os técnicos de saúde e os professores. Os primeiros terão acesso à vacina logo que ela esteja disponível: Novembro. Os professores, não sabemos. É provável que não sejam incluídos nos grupos de risco. Afinal, sempre são 150 mil profissionais. Estão na linha da frente mas o Governo não lhes tem dado a atenção e o respeito que eles merecem. Por que razão, iria dar agora?
A história

Sábado, 11 de Julho de 2009

Eu tinha de dar esta notícia: O Ricardo M., editor do blogue Profslusos, casou hoje

Foi ele que deu a notícia hoje de manhã, embora os leitores habituais do Profslusos andassem desconfiados de que algo de muito importante se ia passar este fim-de-semana. E não é que o Ricardo M. casou? E nem sequer colocou no blogue uma foto da felizarda? Vá lá, Ricardo, queremos conhecê-la! Como não divulgaste a fotografia da felizarda, tive de ir buscar esta foto, minha e da Henriqueta, para ilustrar o post. Há trinta e quatro anos atrás, eu e a Henriqueta fizemos aquilo que tu fizeste hoje. Oxalá, daqui a trinta e quatro anos possas fazer o mesmo que eu fiz hoje. E que eu e a Henriqueta te possamos ainda ler.
Há muito que me habituei a ver no Profslusos um blogue sério, rigoroso e bem escrito. Faz parte das minhas leituras logo pela manhã. Mas há mais. Deixo uma pequena lista de blogues cuja leitura nunca perco pela manhãs:
Foto: Eu e a Henriqueta, esta tarde, no 1º Almoço/Passeio do ProfAvaliação
A história

Uma autêntica perda. Um texto do Luís Costa em torno da falsa autonomia das escolas

Nunca se falou tanto em autonomia das escolas. Todos os dias se acrescenta um pouco mais de autonomia e se fazem projectos para mais e mais autonomia. Autonomia, autonomia, autonomia… A autonomia é consensual e irreversível. No entanto, nunca os professores foram tão alienados com o trabalho, tão explorados e tão automatizados como agora. Esta autonomia é uma autêntica perda… de tempo, de respeito, de dignidade, de dinheiro, de estatuto social e profissional. Desconcentração funcional sem recursos não é autonomia. Bem pelo contrário! Vamos espreitar um pouco toda a autonomia das escolas? Bora lá!

Com tanta, tanta e tanta autonomia que tem chovido sobre as escolas, os professores passaram a fazer uma resma de tarefas burocráticas e ocas — umas mais e outras menos —, sempre à custa da sua missão essencial: leccionar. Os professores começaram a produzir regulamentos atrás de regulamentos, projectos de tudo e de nada, estatísticas até dar com um pau, planos disto, daquilo e daqueloutro, relatórios, memorandos, lançamento de dados na Internet, aulas de substituição, sala de estudo, biblioteca, montes de reuniões de toda a espécie e rebéu béu pardais ao ninho. Os docentes têm, hoje, muito menos tempo para preparar as suas aulas e para corrigir os trabalhos dos alunos. No entanto, estão encostados à parede, sob ameaças diversas, a troco de muito mais sucesso, que deve resultar, não do seu investimento na planificação e execução da sua acção lectiva — os congelados didácticos podem fazer isso —, mas de toda a autonomia mencionada. As escolas podem acabar com os planos de recuperação e de acompanhamento? As escolas podem acabar com os projectos curriculares de turma? As escolas podem deixar de fazer as tarefas que considerem ser inúteis e um entrave ao desenvolvimento de toda a sua dinâmica educativa? As escolas podem pagar todo esse trabalho extra a quem o faz, à custa do seu tempo pessoal? Ou esta autonomia resulta apenas para o lado do Ministério da Educação, que mantém toda a gente entretida, ocupadinha de borla, enquanto trama a vida aos mestres deste país com cataratas de normativos? Vejamos só mais um exemplo. Com o novo regime de gestão das escolas, os directores passaram a ter poder disciplinar sobre os seus colegas. Agora, os processos são encaminhados para um professor, que vai pagar caro o seu estatuto na escola: vai continuar com todo o trabalho que já tinha, vai assumir uma responsabilidade muito grande, correr riscos, ganhar inimizades, substituindo um inspector, que tinha — e tem — formação específica e era bem pago para realizar essa missão. Desta forma, o Estado, à custa da autonomia, deixa de pagar por um determinado serviço, diminui as necessidades de pessoal na IGE e contenta-se com um trabalho que, embora honesto, é forçosamente menos rigoroso, mas muito mais económico: é de borla. E se o desgraçado cometer uma falha na tramitação processual… Toma lá, que é para aprenderes!

Autonomia? Sim, mas a verdadeira, a honesta, a transparente, a realmente autónoma, não este embuste que nos põe todos os dias a realizar tarefas cujo sentido nos escapa absolutamente e que nos humilha, nos subalterniza, nos explora. ESTA AUTONOMIA É UMA EXCELENTÍSSIMA PERDA!
Foto: João Alfaro, editor do blogue JoaoAlfaro, e Miguel Loureiro, colaborador habitual do ProfAvaliação, junto à estátua do Luís de Camões, em Constância, após almoço de amizade de comentadores e leitores do ProfAvaliação. O Luís Costa, poeta, romancista, professor e editor do DardoMeu, foi muito lembrado.

1º Almoço/Passeio do ProfAvaliação: no Arripiado

À esquerda, de costas, o Luís. Em frente, da esquerda para a direita, a Lelé Batita, editora do Pérola de Cultura, uma simpatia de pessoa, o Luís Moura, colaborador do ProfAvaliação e professor de História que não perde a consciência crítica, a Aida Beirão, a doçura em pessoa, o João Afaro, professor, pintor e editor do blogue JoãoAlfaro, o Rui, amigo do coração e a minha mulher, a Henriqueta (de saia branca e blusa escura). Em primeiro plano, o Miguel Loureiro, "peão de brega" sempre pronto a servir os outros e a quem o ProfAvaliação deve alguns dos melhores textos e documentos, e, de costas, a Cristina Ribas, a moderadora de serviço, sempre solidária e amiga de todos.
Há muito que não me divertia tanto. E ainda tiveram a ousadia de me ofecerer um livro e um quadro com o meu retrato feito à mão (prenda do João Alfaro), 28 quadras assinadas por todos (prenda do Miguel Loureiro) e uma caixa de chocolates (prenda da Lelé e do Luís). Foi um dia muito bem passado. Vamos continuar a comunicar e a confraternizar no ProfAvaliação e no Facebook e despedimo-nos com a quase certeza de novo encontro em Lisboa, na manifestação nacional de professores, que esperamos possa acontecer em Setembro.

1º Almoço/Passeio do ProfAvaliação: em Constância, ao colo do Luís de Camões

Em Constância, ao colo do Luís de Camões. A Aida Beirão, claro. À direita da Aida, o Miguel Loureiro. À esquerda, o Luís Moura. Lá atrás, o João Alfaro.
Depois do passeio pela aldeia ribeirinha do Arripiado, cruzámos a ponte férrea para a margem Norte do Tejo e parámos na vila de Constância para passeio a pé pelas vielas e pela praia fluvial, lá onde o Zêzere encontra o Tejo.
Houve tempo e espaço para recordar os amigos ausentes, a Em@, a Deolinda, muito lembrada, o BC, o Wegie, que todos elogiaram pela crítica certeira e a informação rigorosa, a Jane, o José, o António, a Anabela Magalhães, o Luís Costa, a Isabel Fidalgo e tantos outros. E por falar na Ibel, o Miguel Loureiro revelou-se poeta para além de arquitecto, caricaturista e professor. E vai daí, ofereceu-me 28 quadras populares, escritas por ele, em torno do ProfAvaliação. Para aguçar o apetite, deixo a primeira quadra:
"Ramiro do Entroncamento
Fez cumprir a tradição
Ao criar este fenómeno
Do ProfAvaliação"

1º Almoço/Passeio do ProfAvaliação: no Arripiado

Depois do almoço, na Golegã, fomos ao Arripiado, aldeia ribeirinha na margem Sul do Tejo. À frente, a Aida Beirão, comentadora habitual no ProfAvaliação e no Facebook. Atrás dela, o Luís Moura, colaborador do ProfAvaliação. Atrás do Luís Moura, o João Alfaro, pintor e editor do blogue joaoalfaro. Em último plano, o Rui, também conhecido por Turisticna, comentador habitual do ProfAvaliação. De fora do foto, mas presnets, a Lelé Batita, editora do blogue Pérola de Cultura, o Luís, a Cristina Ribas e a Henriqueta.
Foi uma tarde bem passada. Rimos muito, passámos em revista a história do blogue, os momentos altos e baixos da luta dos professores, traçámos cenários para o futuro próximo e reforçámos amizades. E falámos com carinho de muitos ausentes. Sem querer ser exaustivo, lembrámos com saudade o Luís Costa, o Wegie, o Martins, o B.C., a Jane, o José, o António, a Deolinda e a Em@. Em Setembro, marcámos encontro, em Lisboa. Na manifestação nacional de professores. Ficamos à espera que os sindicatos e movimentos se entendam na data.

Cenas e fotografias do 1º almoço do ProfAvaliação

Eram 13:00 quando começámos a almoçar: bacalhau assado com migas. Ao meu lado, o Miguel Loureiro, seguido do Artur (nickname Turisticna). Ao fundo do lado direito, o Luís, a Lelé Batita (editora do blogue Pérola de Cultura), a Cristina Ribas (de óculos), o João Alfaro (pintor e editor do blogue JoaoAlfaro) e a Aida. O Luís Moura chegou um pouco mais tarde e não está nesta fotografia. A Henriqueta tirou a fotografia.
O Miguel Loureiro veio da Póvoa do Varzim e o Rui veio de Fafe, a Aida, de Castelo Branco, a Lelé, o Luís e a Cristina, de Lisboa.
Foi um dia bem passado. Visitámos as aldeias e vilas ribeirinhas: Arripiado, Constância e Tancos com paragem no miradouro do Castelo de Almourol para beber água e sumos. Falámos de blogues e da luta dos professores. Rimos muito. Reforçámos amizades que, até hoje, eram apenas virtuais. Foi o 1º almoço/passeio do ProfAvaliação.

1º almoço ProfAvaliação

Realizamos hoje o 1º almoço ProfAvaliação. Por volta das 13:00, um grupo de leitores e comentadores habituais do ProfAvaliação almoça no Restaurante Café Central, na Golegã, após o que se seguirá um passeio de carro por algumas localidades ribeirinhas: Arripiado, Constância, Tancos e Almourol e, por fim, Vila Nova da Barquinha. É uma oportunidade para os "amigos" virtuais virarem amigos de verdade. Outros almoços se seguirão noutras zonas do país. O próximo será a Norte porque a maior parte dos leitores e comentadores do blogue vive a Norte do Rio Tejo. Mais logo, as fotografias do almoço, dos amigos e dos sítios visitados.
Foto: Pormenor de casa antiga em Constância

Magalhães, propaganda e robotização da educação

O pedagogo Raul Guerreiro, do Conselho Federal Parental Waldorf, na Alemanha, publicou um artigo na Revista Ibero-Americana de Educación em que dá o Magalhães como exemplo dos "perigos da robotização da educação". No ensaio, o investigador diz que a iniciativa, "anunciada como 'Revolução para a Educação em Portugal" reduz-se a "uma jogada promocional para acompanhar um big business internacional", e cita estudos que apontam riscos do uso de computadores na primeira infância. Fonte: DN, 11/7/09
Comentário
O Projecto e-escolinha, no qual se insere a distribuição gratuita ou quase gratuita do portátil Magalhães, às crianças dos 6 aos 10 anos de idade, foi uma manobra de propaganda mal concebida e pior concretizada. Quem deitou tudo a perder foi o primeiro-ministro que se prestou ao desempenho do papel de vendedor de uma máquina que de portuguesa só tem a caixa e que foi encomendada, sem concurso público, a uma empresa com dívidas ao fisco. Se um gestor intermédio da administração pública fizesse isso, já estaria demitido. Como foi o primeiro-ministro, temos de esperar até ao dia 27 de Setembro para o demitir.
Faz sentido facultar o acesso à posse de portáteis aos alunos com mais de 10 anos de idade. O computador e a Internet são ferramentas úteis para quem já revela um bom domínio da escrita e da leitura. Antes dos 10 anos de idade, o uso de computadores e calculadoras tem mais desvantagens do que benefícios. As crianças precisam de se movimentarem e do contacto directo com a Natureza. Já passam tempo demais à frente dos ecrãs. A última coisa de que necessitam é da oferta de um portátil que lhes dê mais razões para passarem ainda mais tempo à frente dos ecrãs. As consequências são conhecidas: obesidade, hiperactividade, falta de concentração e isolamento social.

Contra o professor-faz-tudo. Por que razão os professores devem rejeitar a assunção de novos papéis?

As conclusões do inquérito realizado a 1154 escolas revelam que a grande maioria das escolas (95%) integra a Educação para a Saúde, mas mais de metade não dispõe de gabinetes de apoio (que prestam aconselhamento aos alunos). A alimentação, a sexualidade e as infecções sexualmente transmissíveis são os principais conteúdos do programa e ministrados principalmente nas disciplinas de Ciências Físicas e Naturais e Biologia (95%) e Educação Física (85%). Fonte: iOnline de 11/7/09
Comentário
Os professores queixam-se de que não estão preparados para desenvolver com os alunos todos os temas do programa de educação para a saúde. Há um equívoco neste tipo de programas. Os políticos e a sociedade exigem da escola e dos professores intervenções em todas as áreas onde se registam défices de informação e de formação. A primeira consequência é, regra geral, a falta de formação para lidar com questões complexas mas laterais ao currículo e às áreas de formação dos professores. A segunda consequência é a falta de tempo e a sobrecarga de trabalho dos professores. Cada nova exigência que os políticos fazem à escola acarreta novas funções para os professores. E cada nova função acrescenta carga lectiva semanal ao horário de trabalho dos professores. Infelizmente, há professores que não entendem isto e que se colocam em bicos de pés para aceitar todo o tipo de novos programas e de funções sem se darem conta de que estão a comprar corda para se enforcarem. A César o que é de César e ao professor o que é do professor. Se os políticos querem fazer da escola uma agência de prestação de serviços e cuidados sociais, têm de contratar técnicos de saúde, de animação, de psicologia e de apoio social. Os professores devem dedicar-se apenas ao que sabem fazer e ao que é suposto um professor fazer: ensinar. Tudo resto é tralha que dificulta o ensino e a aprendizagem. A educação sexual, a educação para a saúde, a educação rodoviária, a animação social, a prestação de cuidados sociais e de apoio à família devem ser realizados por técnicos especializados e não por professores sob pena de descaracterização da profissão e de aceitação da concepção do professor-faz-tudo.